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Geral

De cada um desses loucos, nós temos um pouco

apple on open book

Imagine: você estuda por toda a vida, desde os 5 ou 6 anos até se aposentar. Nesse longo espaço de tempo, por um bom período ou na totalidade, você é mal remunerado, desrespeitado e não tem o devido valor reconhecido. Você reclama, afinal, merece receber um justo salário. Mas então, o seu ‘patrão’ manda a polícia bater. Um outro, parcela seu minguado ordenado, depois de debochar do fato de você não receber o cabido valor pelo afã do seu labor. Isto não sendo suficiente, você é desrespeitado país a fora, por quem deveria lhe agradecer.

Mesmo assim, você prepara o seu material de trabalho com carinho, pois ama o que faz. Trabalha mais horas do que recebe, pois pelo trabalho que leva para casa, normalmente, não recebe hora extra. Não sendo o bastante, você trabalha em três turnos, pois com apenas um, você morreria de fome.

Neste momento, caro leitor, você deve estar pensando:

- Isso é coisa de maluco. Apenas um louco escolheria ter essa profissão e viver desta forma.

Mas saiba, por causa de alguns destes milhões de loucos, você está lendo estas mal traçadas linhas. Elas apenas existem por que alguns destes doidos permitiram. Outros ainda mais insanos, acreditaram e instigaram, ainda que com seus exemplos. A arte de ensinar também se dá pelo brilho dos olhos. Só há estas linhas, por que houve uma Sandra que apresentou Augusto dos Anjos e Álvares de Azevedo. Uma Magda - Magdão, chorona, sentimental, que nunca conseguiu bancar a durona, por mais que tentasse, apresentou a semântica, a sintaxe e a paixão por escrever. Uma Maria Tereza que cantarolava: ‘navegar é preciso, viver não é preciso’, ao ensinar história do Brasil. A Rosangel, de Ciências... não virei cientista, ela virou Rô e hoje temos um projeto de livro juntos. A Feliciana, encarnação do próprio nome, que significa alegria e compaixão, também ensinou minha irmã, e também virou uma amizade para vida.

Houve, também, uma certa ‘dona’ Cecília que repetia para minha mãe: “o Moisés é ótimo aluno em notas, mas precisa melhorar no comportamento e também, conversar menos”. Aliás esta frase seria repetida a exaustão por anos a fio, por outros destes mestres, deixando dona Elza em um misto de sentimentos. Também houve, claro, ‘santos que não bateram’, ela chamava de arrogante e prepotente. Justificando, eu cutucava e procurava um jeito de ser expulso da sala. Não guardo mágoas, nunca precisei mesmo de sua fórmula de Bháskara ou Teorema de Pitágoras. E, claro, meu primeiro amor platônico, foi por uma professora, coincidentemente professora de Matemática também, cabelos cacheados, olhos verdes, lindo sorriso, quase repeti de ano... deve ser por isso que virei jornalista e nunca mais gostei de Matemática.

De forma mais recente, houve uma certa Lisete e sua paixão pelo Jornalismo, parceria e brilho no olho, minha mãe no Jornalismo. Um certo Léo (o pai), bonachão, um ‘spetáculo’ de ser humano que estendeu a sala de aula à mesa do bar e me ensinou entre chops, lições do melhor do Jornalismo, de uma era romântica que já morreu, mas que foi o que me trouxe a ele, também me fez ver o quanto eu sou apaixonado por documentários. Melão, a mais ‘cricri’ e ‘caxias’, agradeço imensamente por isso, afinal alguém tem que pôr ordem nessa ‘bagaça’. Com ela aprendi muito sobre a ‘latinha’, a escrever melhor e que ‘mim’ não conjuga verbo, a não ser no meu idioma fronteiriço. Valéria e seu jornalismo científico... na boa Val, é necessário, mas é chato pra...

E, tem um certo Fabio, um gringo Juventudista e suas lições esportivas. Outra Sandra, com essa mais que lições, dividimos nossas ideologias políticas e sociais bem de pertinho. Um Renato, que me fez gostar de assessoria e pensar que sim, isso é coisa de jornalista. João Paulo Aço, uma das mentes mais brilhantes que conheci. Um Alex, que me fez descobrir que eu curto pra caramba fotografia, um Cristiano, que me apresentou Banksy-bah, o Banksy, vai virar até tatuagem. Foram tantos os mestres e tantas as lições que descobri que sou mais um desse bando de loucos. Quero ser como vocês quando crescer.

Por causa desses insanos, que são milhões, você tem esse computador onde me lê, tem o médico, o policial, o advogado, o arquiteto e toda a base da sociedade. Por malucos que não deixaram nunca morrer seus sonhos, que insistiram na sua arte e ensinar é uma arte, apesar de todas as adversidades. E, isso tudo, faz parte do seu show. Em cada um de nós, há muito deles e neles, há um pouquinho de cada um de nós.

A cada mestre, com carinho, um feliz dia do professor.

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