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Jornalismo

Documentário dos alunos de Jornalismo do IPA é apresentado em Jornada Acadêmica da UFMG

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A Universidade Federal de Minas Gerais promoveu, nos dias 20 e 21 de outubro, a Jornada da Comunicação Pública, um encontro entre o Núcleo de Comunicação Pública e Política (NUCOP), da UFRGS, e o grupo Mobiliza da UFMG. Foram cerca de 20 participantes, entre professores e pesquisadores em formação que integram os referidos grupos de pesquisa, que discutiram textos produzidos individual e/ou coletivamente, a fim de ampliar a reflexão sobre abordagens teóricas e empíricas a respeito da comunicação pública.

Entre os textos selecionados para a apresentação está o artigo da Prof. Dra. Sandra Bitencourt, integrante do Nucop e professora do curso de jornalismo do IPA. O estudo proposto sob o título: Deus e o diabo na retórica do golpe: os argumentos na votação do impeachment e a interdição do diálogo faz uma análise dos argumentos dos deputados na votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A reflexão em torno das reações dos públicos aos argumentos apresentados pelos parlamentares responsáveis por julgar o impedimento da presidenta se dá em torno do vídeo

, projeto da disciplina de documentário do curso de jornalismo do IPA, em Porto Alegre, orientado pelo professor Léo Nuñez. Com direção e roteiro do aluno Moisés Machado, o grupo de execução foi formado pelos alunos Yuri Ebenriter, Caroline Riet, Erik Pastoris, Juliana Villeroy e Rosângela Ludke. De acordo com a apresentação do projeto, o documentário “teve o objetivo do registro histórico deste momento que o país atravessava. Um país dividido que em menos de 30 anos passava pelo segundo processo de cassação do mandato de um presidente democraticamente eleito”. De acordo com o diretor do documentário, Moisés Machado, a maior dificuldade viria na busca por uma edição equilibrada “tendo em vista ser eu contrário ao processo e não concordar com muitos dos argumentos utilizados. No entanto, busquei ao máximo não interferir e apenas manter-me no papel de observador e contador de histórias”, destaca.

O documentário foi apresentado aos pesquisadores na quinta-feira, 20, e reconhecido como um importante objeto de análise para compreender o debate público estabelecido no país. O artigo teve como premissa que, independente do argumento utilizado pelos parlamentares durante a votação do prosseguimento do processo de impeachment da presidenta Dilma Roussef, o mesmo será festejado ou rechaçado por se posicionar de acordo ou contrário à posição do grupo. O objetivo do trabalho consiste em saber se esse tipo de conduta é tolerado mesmo por quem defende esses princípios, mas faz oposição ao governo deposto e se vê compelido a entrar na trincheira simbólica, imediata e descomplicada das ruas e das mídias sociais. O título do texto faz uma alusão à trama do filme de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na terra do sol,uma livre adaptação da O Diabo e o Bom Deus, de Jean-Paul Sartre, em que Glauber oferece uma visão particular sobre as relações entre religião e poder no sertão – e o uso da violência- revelando aspectos identitários do Brasil e que fazem dessa produção um divisor de águas no cinema nacional.

A Jornada da UFMG contou ainda com as professoras Maria Helena Weber (Fabico/UFRGS), Rousiley Maia (DCS/UFMG), Ângela Marques (DCS/UFMG), Valéria Raimundo (DCS/UFMG) e o professor Márcio Simeone (DCS/UFMG), com mediação do professor Ricardo Fabrino Mendonça (DCP/UFMG) e a presença internacional do pesquisador português Prof. Dr. João Pissarra Esteves, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Para a profª Sandra Bitencourt, o trabalho documental dos alunos foi fundamental para realizar a análise, porque permitiu observar as reações do público em tempo real durante a votação. “O professor Léo e os alunos, especialmente o mentor da ideia do documentário, Moisés Machado, foram muito sensíveis na captura de um acontecimento histórico. Para além da análise discursiva dos parlamentares, na minha pesquisa interessava responder quais foram as reações dos públicos e qual a permeabilidade desses argumentos das autoridades no discurso de quem estava nas ruas. Foi possível observar certa tolerância com posições de toda ordem, desde que em acordo com o ponto de vista dos grupos, questões subjacentes ao ponto principal – impedir ou não a presidente- ficam à espera de um debate mais consistente. A discussão parece ter ficado restrita a um fator de identificação entre defensores ou detratores do PT que transbordaram para todas as outras áreas”, destaca.

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