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Bate-papo

Alunos do IPA realizam debate sobre feminismo

feminni 01Da esquerda para a direita: Ana Schwendler, Viviane Viegas, Manuela D'avila e Ivana Battaglin. Foto de Ramiro Gasañol

O seminário ‘Vez & Voz’ lotou o Auditório da Biblioteca do Centro Universitário Metodista – IPA em uma noite de debate sobre um tema sempre latente na sociedade: o feminismo.

A deputada estadual Manuela D’Ávila, a estudante de Ciência da Computação da UFRGS Ana Schwendler, a delegada de polícia Viviane Viegas e a promotora de Justiça Ivana Battaglin preencheram a noite com importantes considerações a respeito do tema, trazendo a bagagem profissional e a perspectiva das mulheres. O seminário foi mediado pela estudante de Publicidade e Propaganda do IPA Marjorie Friedrich, que, junto com colegas da disciplina Projeto Multimídia, organizou o evento.

A deputada Manuela D’Ávila trouxe à tona um preocupante índice sobre violência contra a mulher no mundo. O Brasil é considerado o quinto país com o maior índice de feminicídio no mundo. E, em geral, a violência acontece dentro da casa da própria vítima. Recentemente, a deputada criou uma cartilha chamada ‘Machistômetro’, que identifica estágios de um relacionamento abusivo para que a vítima identifique busque ajuda. “É necessário que existam mecanismos de denúncia e que as pessoas saibam deles”, afirma.

Uma iniciativa da estudante de Ciência da Computação Ana Schwendler desafia espaços profissionais ocupados majoritariamente por homens. Ana é uma das idealizadoras do projeto Diosa - Mão de Obra Feminina, que oferta atendimento em tarefas de manutenção geral das residências. Ana constatou que muitas mulheres têm medo de sofrer algum tipo de assédio de homens que prestam esses serviços em suas casas, e o Diosa oferece atendimento totalmente feminino. Além disso, a iniciativa também possibilita que mulheres entrem nesse ramo de trabalho, sendo capacitadas com cursos e atuando como prestadoras de serviços. “Se você não se sente representada em algum lugar, não tenha medo de ser a representação”, sugere.

Nesse sentido, a delegada Viviane Viegas foi a representação. Ela, que já foi especialista nas delegacias de Atendimento Familiar e na da Mulher, conta que sempre existiu pouca representação feminina na sua área, e há pouco tempo isso está mudando. Não somente quando a representação é pouca ou mesmo nula, a mulher tem que comprovar que merece estar lá. A delegada teve o mesmo processo de capacitação, além do mérito que conquistou. Mas, no início da sua gestão como delegada, era subestimada por colegas. E cidadãos chegaram a se recusar a serem atendidos por ela.

A delegada acredita que este tipo de pensamento - que a mulher é menos capaz de realizar uma tarefa ou ser inferiorizada estando nela - está enraizado na nossa cultura. “É necessário perceber essas atitudes e trazer oportunidades para que essa desigualdade acabe”, destaca.

A promotora de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Ivana Battaglin, também passou pela mesma situação em cargo de comando. “As mulheres precisam comprovar que estão ali”, revela. Ivana tem grande conhecimento sobre a Lei Maria da Penha (Lei nº. 11340/06), adquirido na vivência na promotoria especializada e, atualmente, na Comissão Permanente de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (COPEVID).

As denúncias pela Lei Maria da Penha têm aumentado nos últimos anos, segundo a promotora. A violência de gênero - que não é somente a física, mas também a psicológica e a moral - é difícil de ser identificada pela vítima, principalmente quando o agressor mora sob o mesmo teto. O aumento das denúncias é preocupante, mas Ivana acredita que isso também sinaliza que as mulheres decidiram denunciar. A lei veio para assegurar a igualdade de direitos e é por ela que as mulheres têm voz, afirma.

No atendimento, ela indica que é importante uma resposta rápida à agressão, para assegurar a segurança e suporte à vítima. Inclusive, também aplicar serviços de reeducação e reabilitação do agressor.

A falta de representatividade que a delegada Viviane e a promotora Ivana presenciaram na profissão, dentro da delegacia, também estão espelhados no atendimento às vítimas de violência doméstica. Ivana revela que as mulheres têm medo do atendimento dado nas delegacias, que é machista.

A publicitária Jaqueline Marques, formada pelo IPA, presenciou o debate e gostou de ter se aprofundado na Lei Maria da Penha. Ela conta que já sabia da existência da lei e, no seminário, soube como aplicá-la. Já o estudante de Jornalismo Márcio Nunes acredita que iniciativas como essa o ajudam a entender o que as mulheres passam. Márcio também pensa ser importante que isso seja discutido no meio acadêmico. Além dos estudantes do IPA, estudantes de outras universidades compareceram ao seminário.

feminni 02Foto de Ramiro Gasañol

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