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Geral

Feliz Aniversário Porto Alegre!


Foto: Divulgação

Porto Alegre é a cidade de muitos... porto-alegrenses, caxienses, riograndinos, pelotenses... Muitos a escolheram como lar, como lugar para construir suas vidas e famílias. A cidade carrega no nome o melhor que se pode esperar para viver: um porto, alegre. O Multiverso convidou uma ilustre bajeense, porto-alegrense de coração, para fazer uma verdadeira declaração de amor a nossa cidade. Uma das divas da televisão, a jornalista Tânia Carvalho, conta a aventura que viveu ao desbravar a grande cidade.

Sem medo de nada

Sim, eu iria conhecer Porto Alegre.

Em julho de 1951, pela primeira vez, entrei em um avião da Varig, saindo do pequeno aeroporto de Bagé, aos 9 anos de idade. A cidade grande me deixava cada vez mais curiosa.

Mãos trêmulas e geladas.

Sim, fazia frio. Eu usava um casaco de pele (acho que era de coelho) e um chapéu de feltro branco, com uma longa fita caindo sobre minhas costas.
Me imaginei descendo do avião, minha mãe e meu padrasto me esperando, minha fita voando e eu abanando no alto da escada. Tantos filmes já tinha visto, tantas fotos de artistas na Revista O Cruzeiro e Revista do Rádio. Sim, eu faria tudo bem igual.

 

tania bebeFoto: Arquivo Pessoal

A cidade me encantou e me abraçou no primeiro minuto. Passear de carro era um programa infalível nas tardes de Porto Alegre. Estacionar na Praça da Alfândega para ver o movimento das moças elegantes e dos rapazes engravatados. Adorava ver as vitrines da Rua da Praia, da Casa Sloper e a Tschiedel, da Cecília Louro. Ver os cartazes dos filmes nos cinemas da praça e ir passear na Redenção.

 

redencaoFoto: Mauricio Drunn

Ahhhh! Que assombro! Que Floresta tão linda era aquela? Acostumada a soltar o olhar pelas planícies de Bagé, imaginava o que teria lá no fim do horizonte. Jamais pensei que entraria em uma floresta assim. Agarrei bem forte a mão enluvada de minha mãe. Sabia tantas histórias de meninas de se perdiam nas florestas...

 

praca alfandegaFoto: Ricardo André Frantz

A cidade foi se desenhando e se mostrando diante da minha pequena imaginação.

E eu? Cada vez mais apaixonada por ela.

Dizia, como o poeta Quintana: Porto Alegre dos meus amores!

No colégio Bom Conselho, tive uma infância feliz, fiz amigas para sempre, sonhei os primeiros sonhos. No segundo grau, na época chamado de Clássico, já estava no Colégio Júlio de Castilhos. Os bondes me levavam e me traziam para casa.

As missas aconteciam aos domingos na Igreja Santa Terezinha e os moços bonitos, com uma farda militar, da Escola de Cadetes, me tiravam a atenção das orações. Com medo de pecar, fazia penitência e começava o Pai-Nosso mil vezes.

Os anos se passaram, a cidade cresceu, a vida segue rápida demais. Tanta coisa ainda por viver nesta Porto Alegre. Queria muito ver esta gente feliz e segura, andar novamente pela Redenção, voltar dos Bailes da Reitoria caminhando pelo Bom Fim, morrendo de rir com um bando de amigos, absolutamente em paz.

Sem medo de nada.

Sem medo de nada.

Hoje, aos 74 anos, sei que não poderia viver em outra cidade.
Declaro todos os dias, junto dos meus filhos e netos, meu amor por Porto Alegre.

Deus te proteja, moça bonita de 245 anos em flor.

tania adultaFoto: Arquivo Pessoal

Tânia Carvalho
Jornalista e comentarista de Literatura da Rádio Gaúcha

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