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Comunicação Integrada

Michel Maffesoli palestra sobre Ecosofia, Vida Digital e Comunhão Social

IMG 0508Michel Maffesoli e Juremir Machado da Silva. Foto de Ramiro Gasañol

Professores e alunos dos cursos de Comunicação do IPA assistiram à palestra proferida pelo sociólogo francês, Michel Maffesoli. Ele apresentou sobre sua reflexão a respeito da passagem da Era Moderna para a Pós-modernidade, tema amplamente debatido em seus livros. Apresentou o conceito de Ecosofia e seu entendimento sobre a tecnologia e a vida em sociedade.

Segundo Maffesoli, vive-se a passagem da época moderna para a pós-moderna, sendo a tecnologia um importante ingrediente deste fenômeno social. A Modernidade, para ele, é representada pelos valores da ‘Tríade Moderna’: o individualismo, o progressismo e o racionalismo. Essas características da sociedade resultaram na ideia de que o homem é o dono da natureza, o que causou o uso irresponsável dos recursos do planeta em um processo de produção descontrolada. “Essa atitude de dominação resultou na devastação do mundo. E, a devastação ecológica está aí para provar como isso aconteceu”, diz ele. O sociólogo complementa explicando que durante o início da Modernidade, no século XIX, o homem esqueceu do seu lado animal, o que gerou a bestialidade, decorrendo em atos de crueldade, como os campos de concentração nazista.

Contudo, Michel Maffesoli explica que a sociedade vive um período de transição, entrando na ‘Tríade Pós-Moderna’, composta pela criatividade ou criação, pela razão sensível e pela progressividade. Nesta passagem, ele destaca ‘a vontade de viver’, o qualitativo da existência, no qual há a valorização, a busca do hedonismo, do corporeísmo e a aglomeração de pessoas para atividades como música, esporte, entre outras.  “Abre-se espaço para o uso da razão sensível, ou seja, as emoções, mas não se descarta a razão porque ela é própria da nossa espécie animal”, completa.

Com a ‘Tríade Moderna’ ocorre a consciência de se viver de modo sustentável, onde o homem não é mais proprietário da natureza, e sim, que há uma relação de troca entre eles, onde um precisa do outro. Conforme Maffesoli, cabe encontrar um meio termo que em que o homem não continue destruindo a natureza, mas que também não fique estagnado sem evoluir, cabendo uma ação de sinergia.

Ele explica que a Ecosofia está relacionada com a relação entre o progresso e a tecnologia. Pondera que não se trata de uma celebração da tecnologia e uma condenação do progresso, mas o destaque está “no bom uso das coisas”. Para ele, o que caracteriza a Pós-modernidade é a retomada de parâmetros humanos, como o festivo, o onírico e o lúdico, a partir da ‘Galáxia Cibernética’ e da ‘astúcia tecnológica’, onde o longínquo passa a estar próximo.

Lembra que a modernidade enfatizou o princípio da realidade, renegando o sonho, algo que faz parte da natureza humana. A partir do que ele chama de ‘revolução’, possível com a tecnologia, pode-se “voltar a algo considerado ultrapassado. A cibercultura tem algo de revolucionário”.

Entende que há resistência, assim como houve com a ‘Galáxia de Gutemberg’. Este processo, ele percebe como a oposição entre o progressivo e a progressividade. Propõe três pontos de virada, para a que a revolução aconteça: a virada política, a virada societal e a virada da socialidade. Na primeira, recorda que há uma saturação das instituições pensadas a partir da racionalização, como por exemplo, a globalização. Aposta na cibercultura como algo que transcende todas as fronteiras, como por exemplo as simbólicas e as mentais.

Sobre a virada societal, explica que é uma dimensão mais profunda do que a social (ligada ao racionalismo). “O societal expressa que o bem comum, não é simplesmente dependente da razão, mas passa pela emoção, nos ambientes em que o coletivo está mergulhado. O principal deve ser o compartilhamento das emoções, e isto está além do emotivo. Choramos pelos acontecimentos. Chorar, por exemplo, é o cimento da sociedade”. Mas, faz questão de diferenciar a emoção do emotivo. Este último é individual e a emoção é coletiva.

Observa que a virada da socialidade é quando o societal se encaixa na vida cotidiana. Exemplifica com a multiplicação dos fenômenos da cultura juvenil, visto que esta se relaciona com o sensível, com a intensidade das relações e com os vínculos sociais intensos. Tal aspecto, Maffesoli embasa com suas obras voltadas para o conceito de Tribalismo. “O Tribalismo é pós-moderno. Antigamente, as tribos lutavam contra os perigos da selva. O mesmo ocorre hoje na selva de pedra. As pessoas precisam se juntar para vencer as diversidades. Isso caracteriza as redes sociais de comunicação”.

Para Maffesoli, o motor das redes sociais de comunicação é a conotação lúdica. “A relação passa de algo externo - do social, para o interno - o societal. Não estamos mais no ‘Penso, logo existo’, e sim no ‘Eu sou afetado por outra pessoa’. É preciso vencer a barreira do individualismo, buscar o ideal comunitário, o que remete à inteireza do ser, em uma concepção holística, na relação corpo e espírito”. Para ele, o paradoxo da cibercultura é a o reencantamento do mundo.

 

IMG 0502Foto de Ramiro Gasañol

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