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Artigo

Necessidade de vigilância

liberdade

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) celebra hoje o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Valorizando a data, o órgão homenageia Dawit Isaak, jornalista preso em uma manobra de repressão contra os meios de comunicação em setembro de 2001 na Eritreia — país da África Oriental — e desaparecido desde 2005. Tornou-se conhecido em sua terra natal por reportagens críticas e perspicazes, denunciando as péssimas condições de vida da população e os excessos de um governo ditatorial.

A história da humanidade registra muitos episódios semelhantes a esse. O jornalismo, em sua prática essencial, tem sido um aliado daqueles que prezam a liberdade — de expressão, de escolha, de ir e vir. Atualmente, temos visto muita hostilidade para com a imprensa. Atentem para críticas viciadas, desprestígio e ameaças de várias procedências que reverberam nas mídias sociais. É certo que o exercício diário de denunciar corruptos e dar voz às minorias seja interpretado como ameaça às ideologias fundamentadas no ódio e na dominação.

 

"Precisamos ser vigilantes da liberdade. E isso pressupõe uma revalorização da imprensa e de seus profissionais."

 

Impõe-se, portanto, um estado de alerta com o evidente avanço dos discursos e de projetos de governos extremistas, xenófobos e populistas ao redor do mundo. É fundamental que a sociedade encampe sua decisiva função em defesa do sistema democrático e das liberdades individuais. Precisamos ser vigilantes da liberdade. E isso pressupõe uma revalorização da imprensa e de seus profissionais.

A manifestação da diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, expressada no site do órgão, precisa ser inspiradora: "Neste momento de turbulência e mudança em todo o mundo, incluindo novos desafios que exigem cooperação e ação em âmbito mundial, a necessidade de informação de qualidade nunca foi tão importante — isso requer um ambiente sólido para a liberdade de imprensa, assim como sistemas que funcionem bem para garantir o direito de saber das pessoas".

Em um momento em que a hipocrisia incita uma divisão da sociedade entre cidadãos do bem e do mal, claramente aqueles que se posicionam contra o "direito de saber das pessoas" se enquadram na segunda opção.

Jornalista, doutor em Educação em Ciências (UFRGS), coordenador do curso de Jornalismo do IPA

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