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Cultura, Multicultura

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas | Crítica [sem spoilers]

valerian e a cidade dos mil planetasFoto: Divulgação

O ano de 2017, do ponto de vista cinematográfico, tem se mostrado inspirador em adaptações de Histórias em Quadrinhos (HQs). Mulher-Maravilha, Homem-Aranha, Guardiões da Galáxia, Logan e muitos outros que virão. Nesta onda de filmes, eis que surge nos cinemas, pelas mãos de Luc Besson, em um projeto ambicioso: Valerian, um universo ficcional, criado por Jean-Claude Mézières e Pierre Christin, no final dos anos 60.

Mais precisamente, às 21h30min, as luzes se apagam, a tela se acende e somos imersos no espaço sideral ao som de David Bowie, com Space Oddity.  Ali, vemos e sentimos nações, planetas e povos, todos com um único propósito, a busca pela união.  É nessa explosão sensorial que inicia Valerian, que pode ser vista como uma linda caixa, decorada, bem feita, com um visual esplendido de encher os olhos e a alma. Sua beleza visual e delicadeza se sobressaem, mostrando o verdadeiro significado do cinema.

valerian naveFoto: Divulgação

O HQ é considerado a fonte de inspiração de outros filmes de ficção científica. Conta a história de dois agentes viajantes do tempo e do espaço que lutam em defesa da Terra e seus planetas aliados. Quando recrutados a Alpha, um conglomerado de planetas que é habitado por milhões de espécies, que tem por objetivo compartilhar inteligências e culturas, os agentes valerian precisam acabar com uma operação comandada por grandes forças que desejam destruir os sonhos e as vidas dos milhões de habitantes do planeta.

Em Valerian, podemos ser transferidos a N universos, personagens, tramas, subtramas e tudo que se pode imaginar. Mas, infelizmente, ao abrirmos a caixa, vemos que ela está vazia. Isso é Valerian. Lindo por fora, mas vazio em seu conteúdo.

valerian cidadeFoto: Divulgação

 O filme tem efeitos belíssimos, muito superiores aos de Avatar (2009). São caprichados e criativos, dignos de Oscar.  O 3D é pertinente e bem usado, levando-nos a imersão total nas cenas de aventuras e a outros universos. Realmente, é algo épico em relação a efeitos visuais e sonorização. Mas aí é que estão os problemas. O longa peca pelo excesso de subtramas mal aproveitadas, jogadas a esmo, que poderiam gerar vários outros filmes. E, é nesse excesso que o filme acaba se tornando vazio e sem algo (além das imagens) que prenda o telespectador à história. Tem momentos que quem assiste não sabe mais o que está acontecendo, visto tantas coisas que já passaram.

Personagens e trama

Os personagens principais são ótimos, carismáticos, fortes e bem desenvolvidos.  Mas, em questão de atuação, Cara Delevigne e Clive Owen deixam muito a desejar. Owen passa uma situação desconfortável e Delevigne sem carisma e emoção nenhuma. Totalmente ao contrário, Dane Dehaan se entrega ao personagem, conquistando espaço e segurando as pontas da dupla principal. Já os secundários, especialmente Rihanna, são espetaculares e rendem ótimas subtramas e histórias, que em Valerian acabaram sobrando e ficando desnecessárias. Mais um desperdício por excesso. 

Algumas cenas por mais lindas que sejam, realmente poderiam ser retiradas encorpando mais a história para atrair a atenção de quem assiste, dando mais dinamismo e agilidade ao roteiro.

valerian aliensFoto: Divulgação

Fã dos quadrinhos desde sua infância, Luc Besson apostou alto nesse que pode se dizer é o filme mais maduro e grandioso de sua filmografia. Só que essa aposta está custando caro ao diretor, que de tão alucinado por conseguir realizar o projeto, se envolveu em todas as áreas, desde a direção, produção e roteiro e, esqueceu-se de ver os erros que o cercavam. Às vezes, quem está muito dentro não consegue ter a visão daqui de fora. Esse, talvez, seja o maior erro, que prejudicou Valerian e sua caminhada rumo ao que poderia ser extremante grandioso e inovador.

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