· · ·

Expoagas

Leandro Karnal: “O Brasil vive uma crise de perspectivas”

expoagas leandro karnalFoto: Daiana Berto

Um dos palestrantes mais requisitados do Brasil nos últimos tempos, o professor e historiador, Leandro Karnal palestrou durante a 36ª Expoagas. Com o saguão do Centro de Eventos da Fiergs lotado, o público se apressou para assistir a palestra “Olhando a crise com perspectiva”. O Multiverso estava lá e conta como foi.

Karnal pontuou que o Brasil vive um momento muito específico em sua história e que principalmente, os mais velhos, estão acostumados com as situações de crise. Ele ainda ressaltou que é preocupante o número de desempregados no País, que atualmente, atinge cerca de 13 milhões de pessoas, especialmente os jovens. Segundo ele, “os jovens desempregados são jovens que têm tendências a fazer escolhas de extrema direita ou de extrema esquerda. Isso é preocupante, pois os extremos são destrutivos e pouco construtivos”.

Ele ainda comentou que esta não é a pior crise econômica na história do Brasil, mas é certamente a “pior crise de perspectivas”. Ele brincou com a plateia, lembrando que, no ano que vem, acontecem eleições e que o seu maior medo é que na urna ou na cédula estejam nomes como “Satanás, Lúcifer, Cramulhão Capeta e Bel zebu e que nós tenhamos que escolher um deles. Por favor, ao menos tentemos um demônio novo, que nunca tenha administrado o inferno”.

 

Otimismo

Mas, Karnal fez questão de abordar o otimismo das pessoas. Ele relembrou que historicamente há corrupção no Brasil. Destacou uma dado que pouca gente considera: no Brasil apenas mudou o patamar e a ousadia dos corruptos. Lembrou que na década de 90, os brasileiros afastaram um presidente tendo como motivo formal “um Fiat... Fiat Alba! Hoje, isso não suborna nem um office boy da Petrobras. A grande verdade é que os políticos passam e o meu projeto fica, a situação política é importante, participação política é fundamental, mas, o meu projeto não pode ser marcado pelo pessimismo”.

Ele relembrou e usou como exemplo a personagem do desenho infantil hiena Hardy, famosa pelas frases "Oh céus! Oh vida! Oh azar! Isto não vai dar certo!”, que era marcadamente pessimista. A figura da hiena, conforme Karnal, é muito boa para lembrar o custo e o risco das coisas. “Seria excelente que toda a equipe de planejamento tivesse uma hiena Hardy. Porém, no máximo, uma. É o máximo que uma equipe aguenta”.  

Novamente, em tom de brincadeira com a plateia, disse que as pessoas, em um gesto otimista, se casam e ainda têm filhos. “Filho é de longe o pior investimento financeiro criado pela espécie humana. Custa horrores, não dá retorno algum e ainda dizem: eu te odeio! Por isso, se estamos aqui hoje, é porque nossos pais foram tomados de um otimismo”.

 leandro karnalFoto: Daiana Berto

 

Transformação

Leandro Karnal falou que a regra do mundo é a transformação. “Tudo está em transformação”. Brincando, ele relembrou: “Cada vez que eu vejo, diante de mim, pinhão cozido, eu relembro a infância. Pinhão não tem gosto de nada, tem gosto apenas do sal que eu coloquei na água. Mas, cada vez que eu vejo o pinhão, eu me lembro da minha avó com os pinhões colocados na chapa do fogão à lenha”.

Ele salientou que a transformação é a regra do mundo e o cérebro age por conta, ele quer a repetição. “Meu cérebro deseja que seja sempre da mesma forma, anseia por isso, precisa ter rompido seu estado de movimento ou repouso. E, para isso, eu preciso de uma força! As guerras, as crises provocam nas pessoas expressão do melhor e do pior delas. Nas guerras surgem heróis e nas guerras emergem canalhas, porque a guerra muda meu estado, produz algo que quebra a inércia”

Toda a crise vai trazer desafios, observa ele. “É a crise que transforma, que busca o melhor de nós, nos tira da zona de conforto e dá estímulo. Mudar não é fácil, mas, não mudar é fatal”. Usando a metáfora do ovo e da galinha, ele afirmou que “tudo aquilo que nos protege, nos sufoca. A forma mais rápida e eficaz de destruir um ser humano, é mimá-lo!”. Karnal afirma que o ser humano mimado é sempre um imbecil adulto, porque foi protegido do mundo e os pais não o preparara. Quando ele cresce, encontra o chefe, o síndico, a sogra, a nora, o guarda, o juiz, mas, ele queria encontrar o pai e a mãe, pondera.

Nesta linha de raciocínio, salienta que todos são livres para fazer escolhas. Porém, toda escolha implica em perda, tem um risco e consequências. O livre-arbítrio é característica humana e, como disse Karnal, “nenhum leão acorda vegano”. É preciso a atualização constante, começar projetos imediatamente e ser dono do seu próprio tempo. Ao final, ele diz que “todos devem ser sócios majoritários das suas vidas. Um sócio majoritário não manda em tudo, mas toma as decisões que mudam as coisas”.

Postar comentário

0
  • Nenhum comentário encontrado

· · ·