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Palestra, Jornalismo

AS FINALIDADES DO JORNALISMO: o que dizem veículos, jornalistas e leitores

gisele dotto reginatoFoto: Giulian Cavalli

A tecnologia está alterando a forma de produzir e disseminar as notícias. Em outra via, há uma preocupação com a qualidade e a veracidade da informação. Gisele Dotto Reginato, em sua tese de doutorado, busca entender os aspectos considerados pelos jornalistas ao fazer a notícia, pelas empresas de comunicação, bem como a opinião do público, que acompanha o trabalho desses profissionais. 

A jornalista palestrou para alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, em uma iniciativa da Profa. Dra. Sandra Bitencourt, docente da disciplina História Social das Mídias. Também participaram os alunos das disciplinas Comunicação Comunitária e Laboratório de Comunicação Integrada.

A tese, intitulada As finalidades do Jornalismo: o que dizem veículos, jornalistas e leitores, teve como objeto de análise os jornais Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo, por serem as maiores referências nessa mídia no Brasil. E, contou com o discurso de 85 jornalistas brasileiros e o discurso de 250 leitores postados em sites e páginas no Facebook desses veículos.

gisele reginato geral turma doisFoto: Giulian Cavalli

Gisele Reginato comenta que no final da pesquisa foi possível selecionar uma lista de finalidades para cada um dos grupos, sendo que para todos, as três primeiras opções eram as mesmas: fiscalizar o poder e fortalecer a democracia; informar e esclarecer o cidadão e apresentar a pluralidade da sociedade. Contudo, para as empresas de comunicação a finalidade, verificar a veracidade das informações, ocupa a quinta posição da lista. “É problemático que os principais jornais não acham que essa função seja importante. Isso indica muito sobre as coberturas que acompanhamos hoje”, disse.

A Prof. Dra. Sandra acredita que, talvez, os veículos não se preocupem em averiguar a veracidade de uma informação devido à competitividade entre si, para que sejam os primeiros a dar a notícia em primeira mão. “Os veículos, talvez, se preocupem mais com a concorrência tentando publicar a notícia primeiro do que com o seu papel social e com o público leitor”, conta.

dados tese giseleFoto: Gisele Dotto Reginato

Outra situação que Gisele percebeu foi que para os veículos (principalmente) e jornalistas, divertir é um dos papeis (finalidade) do Jornalismo. Todavia, para os leitores, não. “Às vezes, se tem a imagem de que os leitores querem entretenimento. Minha pesquisa mostrou justamente o contrário”, afirma. Ela completa dizendo que dos 85 jornalistas entrevistados, apenas dois disseram que era papel do jornalismo divertir as pessoas.

Gisele menciona que parte do público acredita que o papel de um jornalista ao informar consiste em apenas pegar uma informação e passá-la adiante, sem um processo qualificado, que possui exigências.  “Eu discordo disso, é necessário ter informação completa, bem redigida, apresentando fatos úteis. Uma coisa é passar conteúdo para os leitores, outra coisa é esse conteúdo ter informação”, relata.

palestra gisele reginato alunosFoto: Giulian Cavalli

A Prof. Dra. Valéria Deluca acrescenta que os jornalistas lidam melhor com a matéria-prima chamada informação. “Se não tivermos critérios para manusear a informação, corremos o risco de deixarmos de ser referência. Esse é o nosso diferencial em relação as outras profissões”, conclui.

Gisele encerra a palestra esclarecendo que as finalidades são um eixo definido para o exercício do compromisso ético e para o desempenho de um papel social, que não pode ser substituído por outra instituição (jornalismo). “Não é necessário que em todas as pautas sejam cumpridas as finalidades, mas o jornalismo precisa usá-las para continuar sendo importante e necessário”. Ela completa que caso o jornalismo não cumpra essas finalidades, ele morre ao perder leitores, qualidade e o singularismo enquanto gênero, que é aquilo que faz com que o leitor saiba que a informação é real e verdadeira.

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