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Cultura, Multicultura

It – A Coisa | Crítica [sem spoilers]

it a coisa e garotoFoto: Divulgação

Em uma época, em que os fãs são cada vez mais exigentes com adaptações para o cinema, fica difícil agradar a todos. Se o filme é fiel demais à obra original, ele é simplesmente mais do mesmo e não inova. Mas, se o longa foi renovado recebendo muitas mudanças, não se respeita a essência do que foi feito antes. It – A Coisa (2017) consegue manter tanto o espírito do aclamado livro do autor Stephen King quanto revigorar a obra, oferecendo muito mais do que terror.

losers clubFoto: Divulgação

Sinopse

A história se passa em 1989, na cidade de Derry, onde uma série de crianças começa a desaparecer, mas as autoridades e cidadãos não parecem preocupados em achar as vítimas. No meio disso, sete crianças ‘desajustadas’ formam o “Clube dos Perdedores”, afim de encararem os problemas da vida enquanto tentam sobreviver aos ataques de uma entidade chamada It/Pennywise.

Início

O filme começa com uma trilha sonora tensa e sufocante, que é rapidamente trocada para uma mais alegre e tranquila, que dá um contraste cruel para aquele momento de pura inocência que o espectador assisti. Para quem conhece a versão do telefilme de 1990 (ou até mesmo quem assistiu os trailers) sabe o que está prestes a acontecer.  E a sensação que fica é que a esperança está prestes a acabar. Em menos de cinco minutos de filme, o espectador entende que espécie de mundo é esse, onde qualquer coisa pode acontecer a qualquer um.

Até a metade do longa, parece que o público acompanha dois filmes diferentes que se intercalam entre si. O primeiro apresenta os problemas pessoais dos jovens e a amizade que eles desenvolvem. Enquanto, o segundo consiste em enfrentar o It e, assim, os seus próprios medos e traumas, fazendo os personagens amadurecerem.

pennywise e balaoFoto: Divulgação

Gêneros

It é uma mescla de gêneros: terror, suspense, drama, aventura, comédia, e por incrível que pareça, essa junção funciona muito bem. Assim, o filme vai um passo além de apenas assustar o espectador, trazendo momentos de nostalgia, diversão, tristeza e, é claro, medo. Esse, que é trabalhado com extrema cautela, sem pressa ou exagero, para aumentar a tensão do espectador a cada segundo através de uma trilha sonora sufocante, que complementa a agonia que o espectador sente junto aos personagens.  E, não se pode deixar de falar do visual espetacular nesses momentos, uma mistura de fantasia, horror e sobrenatural que dá um ar de filmes como “Invocação do Mal” e “A Hora do Pesadelo”.

Violência

Pode-se dizer que há uma linha limite quando se usa violência no cinema, ainda mais, quando se envolve crianças. It não atravessa essa linha, mas quase a ultrapassa, logo, quando é necessário, o espectador é surpreendido em determinadas cenas, não pelo simples prazer de chocar por chocar, mas porque a premissa da história exige isso. Diferente da versão do telefilme, que se utiliza de diálogos dos personagens para descrever o estado das vítimas, na falta de ousar visualmente, aqui, se usa dessa violência, mas, de forma controlada, respeitando tanto a obra literária quanto o público.

loserFoto: Divulgação

Clube dos Perdedores

Os momentos entre os jovens são muito bons e divertidos, todavia, alguns personagens são muito mais bem desenvolvidos do que outros. Dois ou três deles, infelizmente, não geram muita empatia e parecem deslocados no grupo. Eles chegam até serem esquecidos, por causa disso, às vezes, a química entre o grupo parece fraca. Isso poderia ser resolvido dando um tempo de tela maior para eles, deixando-os mais interessantes. Entretanto, no geral, os atores fazem uma boa atuação, sendo carismáticos e destacando seus personagens com emoções e sentimentos convincentes e humor agradável.

It – Pennywise

O que falar da atuação de Bill Skarsgård como It? Maravilhosa! O ator oscila entre um palhaço, que se comporta de maneira fofinha, simpática e inocente para ganhar a confiança das vítimas, para um verdadeiro Bicho-papão, que desperta medo apenas com a sua presença. O mais incrível é a transição entre o palhaço bonzinho para o palhaço monstro, que ocorre em um segundo, apenas com uma mudança sutil no olhar de It.

It pennywise e menino
Foto: Divulgação

Conclusão

O livro ‘It – A Coisa’ possui mais de mil páginas, logo, para se contar uma história tão longa sem deixar de aproveitar o máximo do conteúdo original, foi preciso bom senso ao se dividir a história em dois filmes. Já que o primeiro foca no Clube dos Perdedores, é importante que na sequência se aborde mais sobre os mistérios em torno da entidade It. E, também, mostrar as batalhas empolgantes e cenas que mexam com o espectador, deixando-o ora triste ora feliz como nesse primeiro longa.

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