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Jornalismo Investigativo

Jornalismo Investigativo: um olhar através das lentes de Glaucius Oliveira

camera ao ar livreFoto: Arquivo de Glaucius Oliveira

O repórter cinematográfico Glaucius Oliveira é um profissional exigente, conhecido por reportagens de caráter investigativo que vão ao ar na TV Globo e na RBSTV. Ele vai estar participando do 2º Seminário de Comunicação Integrada, promovido pelos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. Em um bate-papo com os alunos, promete contar histórias e falar dos desafios da produção de imagens em tempos de pós-verdades.

Um dos trabalhos mais recentes de Glaucius foi a reportagem veiculada no Fantástico sobre o furto de animais em zonas rurais (abigeato). A matéria denunciou crimes, apontou envolvidos nas ações e mostrou o prejuízo financeiro e o medo de muitos produtores rurais. Ele também foi cinegrafista das reportagens Faltam 3 Milhões de vagas em creches e pré-escolas em todo o país e Quadrilhas 'esquentam' carros roubados com chassis do Exército.

 

campo gravacaoFoto: Arquivo de Glaucius Oliveira

Glaucius conta que está acostumado a realizar matérias sobre a cultura gaúcha, uma de suas paixões. Devido ao envolvimento com os produtores rurais, recebia muitos pedidos para fazer uma reportagem em nível nacional sobre o roubo dos animais. “Os produtores comentavam que as delegacias não conseguiam dar conta desses problemas e era necessário chamar a atenção das autoridades. Não conseguimos atender de imediato por causa da demanda que tínhamos, levou um ano para iniciarmos”, conta.

Segundo o jornalista, o processo de produção até finalização de todo o conteúdo levou três meses. As primeiras entrevistas ocorreram na Região da Campanha, depois, outros estados foram visitados na busca de vítimas do crime. “Conforme se vai trabalhando, os entrevistados mencionam outras pessoas prejudicadas. Então, produzirmos enquanto gravamos. Isso tomou uma proporção devido ao boca a boca”. Ele comenta que houve uma parceria com a Polícia Civil, em especial, uma força-tarefa especializada em abigeato, que contribuiu com os dados. “Assim, nós tivemos oportunidade de encontrar locais e contatar muitos produtores que foram lesados”, conclui.

 

camera campoFoto: Arquivo de Glaucius Oliveira

A matéria foi exibida no domingo e no dia seguinte já se percebia os efeitos da reportagem. “Na segunda, recebemos muitas denúncias de abigeato, o que rendeu mais material para serem apresentados durante a semana nos jornais e telejornais locais. Além disso, muitas pessoas nos agradeceram pelo trabalho feito”, relata orgulhoso. Glaucius comenta que a reportagem fez com que os sindicatos rurais buscassem soluções para o problema. Também mobilizou a Secretária de Segurança do RS para aumentar o efetivo e atender à demanda de crimes.

Glaucius destaca que trabalhar na área de denúncias exige alguns cuidados com os envolvidos. “As pessoas ficam felizes que estamos ali tentando ajudar com a reportagem. Mas, eu sempre peço que os entrevistados não comentem sobre a presença da equipe para outras pessoas”, informa o jornalista. Ele salienta que para as investigações é necessário flagrar pessoas em atividades ilícitas, o que precisa ser feito com cautela. “Procuramos nos proteger gravando de longe, mas se há algum risco para nossa vida, deixamos o local. Temos todo um cuidado para conter riscos”.

 

entrevistado sem identificacaoFoto: Arquivo de Glaucius Oliveira

Ele afirma que apesar da precaução, às vezes, ocorre de receber ligações de números não identificados com insinuações de ameaça. Devido a isso, há o costume de trocar com frequência o número do telefone. “Eu tento separar bem a vida profissional da pessoal e procuro evitar exposições”, complementa. Segundo ele, também se busca zelar pela segurança do entrevistado, pois a pessoa não imagina a repercussão que a matéria pode causar. “Nós damos a opção de se identificar ou não durante a gravação, mas, dependendo da reportagem, avisamos que só gravamos se for sem identificação”, comenta.

Glaucius explica que, quando uma fonte está com medo ou abalada para dar uma entrevista, é essencial dialogar e esclarecer o quanto é importante a participação dela para ajudar a população. “Se faz todo um processo, que demora. Pode ser uma conversa, um almoço, enfim, algo que deixe a pessoa mais confortável para contribuir com a reportagem”, completa.

 

editada gravacaoFoto: Arquivo de Glaucius Oliveira

Para atuar na área investigativa, o repórter cinematográfico comenta que o jornalista tem que estar disposto a investir muito na reportagem. É mais difícil, pois é demorada e custa mais caro para os veículos. “Não é um mercado muito aberto, há pouca gente fazendo isso e a empresa pensa duas vezes antes de ter uma equipe investigativa. Mas, o principal é ter perseverança, tem que ter paciência”, conta. Ele acrescenta que apesar de levar mais tempo para ir ao ar, a reportagem investigativa, quando é veiculada, causa um impacto muito profundo. Ele acredita que ela podem ajudar a melhorar o país.

Glaucius Oliveira vai participar dos Meetins, bate-papos que serão realizados no dia 26 de setembro, durante o 2º Seminário de Comunicação Integrada. O evento acontece no Centro Universitário IPA, no Campus Central. A atividade é aberta ao público em geral. Para mais informações, acesse a programação completa.

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