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Comunicação Integrada

Cinema, Bibs e debate sobre Pós-Verdades marcam abertura do 2º Seminário de Comunicação Integrada

ze matheus giulian ramiro pos verdadesFoto: Rodrigo Bernades

A noite de abertura do 2º Seminário de Comunicação Integrada contou com a presença de convidados, autoridades, egressos dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda e da comunidade acadêmica que prestigiou o evento. Na chegada, os participantes foram contemplados com uma apresentação do Coral do IPA, regido pela professora Jaqueline Barreto.

anelise pos verdades
Foto: Rodrigo Bernades

Os palestrantes foram recepcionados pelo Pastor Roberval Trindade; pela reitora, Profa. Dra. Anelise Coelho; pela coordenadora de Graduação, Profa. Dra. Patrícia Treviso; pelos coordenadores dos cursos; e professores. Eles foram recebidos com um coquetel, oferecido pela Didi Cake, parceira do Seminário.

 fabio nancy pos verdadesFoto: Rodrigo Bernades

O aluno de Publicidade e Propaganda, Juliano Amidianski foi mestre de cerimônias e deu início ao seminário, que teve o apoio da Nano Comunicação e Eventos. O coordenador do curso de Jornalismo, Prof Dr. Fabio Berti e a coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda Profª Ms. Nancy Viana, deram as boas-vindas ao público e falaram sobre os ruídos de comunicação na era das pós-verdades e a oportunidade para os bons comunicadores. “O desafio não é distinguir verdades de mentiras, pois são tempos em que o 'eu acho' foi substituído pelos fatos. Esperamos que a técnica aliada à ética se sobreponha a estas questões do nossa era", completou Fabio Berti.

 

Boom

Os alunos Ramiro Gasañol e Giulian Cavalli apresentaram uma versão ao vivo do programa Multicultura. Em um cenário especial, com mobiliário cedidos pelo apoioador Móveis do Bem, eles anunciaram a Mostra Audiovisual Boom. Criado em 2012, o Boom completa cinco anos e traz a produção audiovisual realizada pelos alunos dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. Ao sabor de Bibs, oferecidos pela Neugebauer, parceira do vento, foram exibidos os curtas ‘Era só o que me faltava’ e ‘Entre Nós’, vídeo clipe ‘Ana’ e o documentário ‘Cozinheiros do Bem’.

 

Pós-verdades e a produção audiovisual

O jornalista Matheus Pannebecker e o cineasta Zé Pedro Goulart abriram os debates da noite. Matheus lembra sobre o panorama do mundo: Dos presidentes loucos, ilegítimos, do estado que quer fechar uma emissora de televisão pública, e também de uma exposição que trata sobre sexualidade e comportamento sendo banida. Ele questiona como as crenças se encaixam neste panorama mundial dentro do conceito das pós-verdades. Ele ainda completou falando sobre as redes sociais, especialmente o YouTube, que na visão dele, é a nova TV. “Você encontra de tudo lá: crítica, informação, verdades e pós-verdades. Youtuber é quase como uma profissão hoje em dia, mas quem regula isso?".

matheus ze pos verdadesFoto: Rodrigo Bernades

O cineasta Zé Pedro Goulart iniciou seu discurso falando sobre a obra de Orson Wells, Guerra dos Mundos, que foi um dos primeiros experimentos de fake news e pós-verdade. "Talvez a verdade não exista, e sim, apenas, a procura da verdade. Mentimos porque cada um de nós é um projeto fictício de nós mesmos".

Ele ainda citou o jornalista Gay Talese, que afirma não acreditar em jornalista que não gasta sola de sapato. Tem uma questão profunda nisto. Estando in loco, há maior chance de captar a verdade, lembra Zé Pedro. E, ainda, provocou Matheus Pannebecker, com quem trabalha na Mínima FM, ao saber que ele não segue o Bolsonaro nas redes sociais. “Vejam como as pós-verdades começam, com a seleção daquilo que a gente concorda", reflete. "Tenho mais interesse em seguir quem eu não concordo!", revela Zé Pedro. "A busca da liberdade é a busca da solidão. Alguém gosta de ser solitário? Todo mundo tem opinião para tudo, não interessa sobre o que você vai debater, é importante haver o embate das ideias". Ele prossegue afirmando que "criatividade é correr riscos e hoje em dia, os publicitários estão muito na zona de conforto. Seguindo assim a publicidade vai voltar aos seus primórdios".

 

ze matheus giulian ramiroFoto: Rodrigo Bernades

O cineasta ainda complementou dizendo que “o grande perigo das sucessivas mentiras é que elas acabam sendo formadoras de opinião. Se a gente não conseguir distinguir entre essas verdades e pós-verdades, estamos perdidos. A mentira é subjetiva, uma questão complexa e também difícil de mensurar. Onde está a verdade? Seguir uma ideia hegemônica ou criar um factoide que vai catapultar para uma maior visibilidade? O ideal seria após furar a onda, estabelecer um conceito, sem se perder na maior das mentiras: a fama. Não existe mentira se não há uma verdade absoluta", completa.

Questionados sobre a cobertura do Rock in Rio feita por youtubers, Matheus Pannebecker defendeu que o problema é quando a grande mídia dá aval a uma cobertura sem muita apuração", responde. Zé Pedro comentou que o YouTube superou a audiência da grande mídia. “Imaginem o potencial dos canais, dos youtubers com seus milhões de seguidores, que juntos, são relevantes. Por outro lado, há uma vulgarização da forma de fazer, o fast food da informação", completa Zé Pedro. "O que mais me preocupa de tudo isso é a falta de silêncio. Tudo tem que estar vibrando sempre, o cérebro nunca silencia. Isso cria uma barreira. Será que a gente consegue criar no barulho?", finalizou ele, deixado a indagação para a reflexão de cada um dos que estavam assistindo à palestra.

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