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Comunicação Integrada

Comunicação na era da Pós-verdade

alexandra gustavo daniel pos verdadesFoto: Rodrigo Bernandes

Com a mediação da jornalista Alexandra Zanela, da Padrinho Agência de Conteúdo, o administrador Gustavo Bacchin, da Agência Cadastra e o jornalista da Rádio Gaúcha, Daniel Scola debateram a comunicação na era das pós-verdades. O painel de encerramento do 2º Seminário de Comunicação Integrada empolgou alunos e professores dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda.

Encontrar fake news (notícias falsas) ou informações incompletas em redes sociais ou até mesmo em veículos de comunicação não é uma novidade. Essas características fazem parte da era das pós-verdades, algo preocupante não apenas para os profissionais da comunicação, mas, também, para toda sociedade.

Segundo a definição do Oxford Dictionaries (Dicionário Oxford), a expressão post-truth (pós-verdade) ocorre quando “circunstâncias em que os fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos à emoção e à crença pessoal”. Isso resulta no aumento de crenças falsas e facilita que boatos ganhem força. O vocábulo se destacou após ser selecionado pelo dicionário como a palavra do ano de 2016 da Língua Inglesa, por ter um aumento de 2000% no seu uso.

A expressão foi utilizada pela primeira vez em 1992, pelo dramaturgo servio-americano Steve Tesich, na revista The Nation, com o artigo A Government of Lies (Governo de Mentiras). Ele explica que após o escândalo Watergate, que resultou na renúncia do presidente Richard Nixon, os EUA entraram em estado de “aversão à verdade”. Ou seja, não seria necessariamente o culto à mentira, mas a indiferença em relação à verdade dos fatos.

 

gustavo bacchin pos verdadesFoto: Rodrigo Bernades

Gustavo Bachin, CEO da Agência Cadastra, comenta que é importante educar o público sobre as fake news e os problemas que geram. “Por incrível que pareça, há muitas pessoas que não percebem a dimensão disso. Essas informações manipuladas podem prejudicar a vida em sociedade”. A jornalista Alexandra Zanela exemplifica com um caso de fake news de 2013, em que um boato dizia que o Bolsa Família seria cancelado. “Isso gerou um transtorno na vida de muitas pessoas, criou filas no banco, desespero. Então, temos que cuidar para não alimentarmos isso”, disse ela.

O jornalista Daniel Scola relembra que, quando cobriu a eleição entre Hillary Clinton e Donald Trump, conversou com algumas pessoas sobre em quem iriam votar. “Um deles disse que iria votar no Trump, porque circulou uma notícia de que a Hillary estaria doente. Ele ficou com receio de que ela não terminaria o mandato”. Daniel comentou sobre outro boato no Facebook que favoreceu Trump e ressaltou que o resultado da eleição foi determinado por fake news. “O trabalho do jornalista hoje é combater as notícias falsas”, complementa. 

Um exemplo recente de fake news envolveu a Marinha mexicana que precisou desmentir o salvamento da menina, Frida Sofía, soterrada nos escombros dos terremotos do mês de setembro. A menina, que era considerada o símbolo da esperança em meio a tragédia, se revelou uma farsa. Logo, em uma época em que o povo desconfia do governo, organizações, instituições e outras entidades, fica difícil manter a confiança e a credibilidade com os cidadãos, destacaram os palestrantes.

Gustavo observa que em uma situação dessas é preciso haver transparência e humildade por parte dos envolvidos. “É necessário se admitir os erros. As pessoas procuram por relações verdadeiras em todos os aspectos. Só assim teremos confiança nas relações”, pondera.

 

alexandra zanela pos verdadesFoto: Rodrigo Bernades

Os profissionais da comunicação e veículos também podem ser alvos de fake news, lembra Alexandra, ao recordar do caso do falso fotógrafo da ONU que enganou muitas pessoas, inclusive a emissora BBC. “Os comunicadores devem praticar para o que foram treinados e preparados para fazer: desconfiar da informação, conferir e reconferir sempre”, indica.

Alexandra relata que conscientizar a população sobre fake news e pós-verdade é uma função social e educacional não apenas dos profissionais da comunicação, mas, de toda a sociedade. “Cada indivíduo precisa alertar suas famílias, amigos e pessoas próximas sobre isso”. Ela argumenta que essa conscientização também precisa ser feita com as crianças. “Há vinte anos, não havia o hábito de usar cinto de segurança, mas educando as crianças, esse comportamento mudou para melhor, então, é possível fazer a diferença”, conclui.

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