· · ·

Geral

Zeca Honorato responde perguntas da palestra da Aula Inaugural

aula pp quintaFoto: Ramiro Gasañol

O publicitário Zeca Honorato respondeu os questionamentos deixados pelos alunos, durante palestra feita na Aula Inaugural do curso de Publicidade e Propaganda. Como, não houve tempo para atender todas as questões enviadas ao convidado, ele se propôs a levá-las e respondê-las assim que possível. A Equipe Multiverso recebeu o retorno de Zeca. Confira!

As redes sociais aumentaram o contato das pessoas com os políticos. Como manter a imagem que foi vendida durante a campanha eleitoral, após o pleito?

A questão das redes sociais é uma via de mão dupla não só para os eleitos, mas para todos os agentes públicos, celebridades, pessoas e todas as marcas. Vivemos uma época de eterna vigília. O bom comportamento e etiqueta social depois da internet ficou mais sensível. Um comportamento relapso afasta, um deslize é potencializado e assim por diante. Mas, por outro lado, as boas ações e o bom comportamento tende a ser superexposto também.

Como manter o personagem criado na campanha, após a eleição, quando o político é eleito?

Não construo personagens. Apenas destacamos as características do candidato que mais condizem com o desejo do eleitor naquele momento. Após eleito, sai de cena a expectativa e a esperança e entram em campo a cobrança e o policiamento. Os bons se destacam. Já os personagens se dão mal.

Como você vê ou interpreta a quantidade de freelancers no mercado - pontos positivos e negativos.

Sempre foi assim e só vai aumentar. Estamos caminhando para uma flexibilização nas formas de contratação. Vejo com bons olhos.

Qual o seu olhar sobre a trajetória da Publicidade, quais você acredita que foram os momentos de ápice?

Não quero olhar para trás, devemos olhar sempre para frente. Mas é inegável que a publicidade brasileira viveu uma época de ouro nos anos 80 e 90. Mas tudo muda. Estamos hoje, no mundo inteiro, tentando entender o novo consumidor e, assim, perpetuar a relevância da comunicação na vida das empresas.

Como você descreve ou analisa a relação do profissional recém formado e o mercado de trabalho?

Ando um pouco preocupado com a falta de garra e atitude de alguns entrantes do mercado. Sem brilho no olho não rola, fica a dica.

Como você entende que ocorre a ''criação" de consciência social na publicidade?

A publicidade não tem consciência, cara, personalidade, nada. Quem tem ou não tem é a sociedade. A publicidade é uma esponja que absorve o que a sociedade sente e devolve em forma de comunicação. Somos observadores, somos espelho, não somos lançadores de comportamento.

O que você acha de idealizadores sociais e contra o consumo lucrativo capitalista, mesmo quando os mesmos cursam publicidade?

A publicidade é uma atividade puramente capitalista, o que significa esteja livre de um compromisso social maior. Marcas podem ser extremamente pujantes, faturando bilhões, e, ao mesmo tempo, fomentadoras de causas sociais. É contra o capitalismo pura e simplesmente? Largue a publicidade. Agora, a boa notícia é que dá para salvar o mundo através da força das marcas, pois elas geram empregos, doam para causas ambientais, sociais, políticas, etc. Cada vez mais as marcas serão cobradas por sua atuação e suas posições.

Você gosta do coque hippie/indie que a maioria dos Diretores de Criação usam?

Modinhas passam. Já fomos yuppies, coloridos, etc. Isso é besteira. Quem dá bola para isso é porque quer esconder falta de conteúdo.

Para você, as mídias tradicionais estão conseguindo se inserir nas plataformas digitais com sucesso?

Aos poucos, sim. O rádio segue moderno, por exemplo.

O modelo da agência tradicional está ultrapassado?

Faz tempo.

Como aquecer o mercado publicitário do Rio Grande do Sul?

Aquecendo a economia.

Como a plataforma on-line e a plataforma tradicional se complementam?

Não existe o consumidor digital e o físico. Existe o consumidor. Isso já diz tudo. Você anda na rua e sofre o impacto da mídia exterior. Mas você anda na rua com o celular, aí você é impactado pelo digital. Se você pensar no consumidor e não na publicidade, você terá sempre a resposta.

A propaganda tem criado boas tendências para o mercado?

Propaganda não cria tendências. Somos potencializadores do que está no ar, na sociedade. Somos amplificadores, não nascedouros de comportamento.

O mercado da propaganda consegue inovar ou renovar sem ser repetitivo ou clichê?

Claro. Mas tem que pensar, ir mais fundo. Só se repete quem é medíocre ou preguiçoso.

Nesta transição da publicidade, o que você acha que permaneceu intacto?

O valor das ideias. Sem ideias, meus amigos, somos nada. Ideia é a nossa profissão. O que tem de trabalho ruim, sem humor, sem emoção, sem inovação, sem surpresa. Não basta comunicar, tem que encantar. Em qualquer meio, em qualquer época vai ser assim.

Qual área da comunicação foi mais atingida pela era digital? Por quê?

Os meios impressos, pela lógica da velocidade. Um jornal já nasce velho.

Hoje, na Era da Sustentabilidade, o que tem maior peso na publicidade, o institucional ou o social?

Como todo respeito a esta pergunta, não existe nada que seja institucional. Quando faz uma campanha de produto e preço você não está se posicionando? Você não está dizendo nada sobre a marca? Claro que sim. É sempre institucional. Compare com uma pessoa. Quando você está dançando numa festa você deixa de ser a pessoa que é no currículo, na carreira? Claro que não.

Como você definiria a atual fase da publicidade?

De dúvidas e busca por reafirmação. Estamos vivendo uma época que vai ser estudadas anos mais tarde com a fase da transição do modelo.

Como você identifica as faces da mídia on-line e off-line? Vê elas interligadas? Elas funcionam independentemente?

Não existe separação. On e off são canais. Não são conteúdos. Cada canal exige uma linguagem própria. Tudo é integrado hoje.

Pensando no marketing social nos últimos 10 anos, qual a transição que você identifica?

Estamos entrando numa era de cobrança a respeito das práticas das empresas. Se estimulam trabalho escravo, se respeitam o meio-ambiente, se são homofóbicas, etc. Isso é um avanço.

Postar comentário

0
  • Nenhum comentário encontrado

· · ·