· · ·

Ética

Curador da exposição Queermuseu fala sobre Liberdade de Expressão para alunos do IPA

palestra queermuseuFoto: Silvana Alves

Os acadêmicos da disciplina de Ética e Legislação, ministrada pela Profa. Dra. Sanda Bitencourt, receberam o Doutor em História da Arte e curador da mostra Queermuseu, Gaudêncio Fidélis. Ele conversou com alunos e professores do curso de Jornalismo sobre o fechamento da exposição e como a mídia tratou o caso. Também respondeu questões sobre as acusações de apologia à pedofilia e desrespeito à religião. Gaudêncio usou o acontecido para abordar o tema liberdade de expressão.

Gaudêncio Fidélis comentou que a mostra Queermuseu contava com 263 obras, de 85 artistas. As peças tratavam de assuntos como identidade, expressão de gênero e pontos relativos à diversidade, a partir da expressão artística. Ele ressalta que, no dia da inauguração, mais de 3.500 pessoas compareceram para a abertura da exposição. “Nesse período, a exibição estava sendo um sucesso, agradando as pessoas. Não havia manifestações ou descontentamentos”. O curador acrescenta que a própria imprensa celebrou e contemplou o evento com a presença de mais de 100 jornalistas. “Queermuseu foi muito bem recebida pelos formadores de opinião”, afirma.

Quando as primeiras pessoas se manifestaram contra a exposição, ele relembra que quatro obras foram utilizadas para justificar as acusações de incentivo a crimes e desrespeito à religião. “Definitivamente, isso tem que ser dito de uma vez por todas: obra de arte não pode incitar a se cometer algum crime, porque, isso, seria contra a própria natureza da arte”, esclarece.

Ele explica que a maioria as pessoas estão criticando uma exposição que elas não viram e as quatro obras que apareceram na mídia estão sendo colocadas fora do contexto. “Uma das obras falava sobre o bullying que as crianças sofrem nas escolas. Contudo, isso foi transformado em algo relacionado a instigar um crime sexual”, lamenta.

gaudencio bate papoFoto: Silvana Alves

Gaudêncio salienta que há pessoas debatendo sobre o que é certo e o errado na expressão artística. “Não se pode acreditar que elas estão tratando sobre isso. É uma ideia distorcida. Não estão se referindo à arte e sim ao comportamento das pessoas. Discutindo o que se pode ou não se pode fazer”. Ele complementa explicando que se as pessoas não entenderem essa situação de imediato, logo, estarão em um território perigoso. “Um dia, eles vão tirar um trecho de um livro que você está lendo ou vão bater na porta, durante uma aula e dizer sobre o que vocês vão poder debater”, comentou ele, direcionando à questão aos professores e acadêmicos presentes.

O Doutor em História da Arte denuncia que há um processo de criminalização da profissão artística. “Será desabonador ser um artista. Será crime fazer determinadas obras de arte”. Ele informa que há inúmeros projetos de lei que incidem no que pode ser produzido ou não. “Um dos projetos diz que não se poderá utilizar símbolos religiosos em obras de arte. Nós não teríamos a História da Arte Ocidental sem a iconografia cristã”, destaca.

Gaudêncio ressalta que os acontecimentos recentes na exposição Queermuseu vão resultar em uma série de problemas no futuro, não apenas para arte, mas para a democracia do País. Ele também menciona que é papel da imprensa trazer o diálogo sobre tais questões para a sociedade.

Postar comentário

0
  • Nenhum comentário encontrado

· · ·