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Geral, Palestra

Afrofuturismo, redes sociais e tipos de mídia fecham o Seminário Internacional de Comunicação

seicom pucrs segundaFoto: Márcio Nunes

Cultura afro-americana, redes sociais, democracia contra a tecnologia e a semiótica dos tipos de mídia foram os temas que protagonizaram os dois últimos dias do XIV Seminário Internacional de Comunicação, realizado na PUC, no começo do mês. Confira a segunda matéria que o Multiverso preparou para contar o que foi destaque no evento.

O professor associado em Sociologia, da Universidade de Paul Valéry Montpellier III, na França e professor da Faculdade de Ciências do Sujeito e da Sociedade, Vincenzo Susca abriram a segunda noite de debates. Ele realçou a popularização das mídias sociais na sociedade de massa. Além disso, relacionou a comunicação humana e a teatralização da sociedade, que se dá através das mídias digitais como, por exemplo, o Instagram. O professor que também é diretor editorial e um dos fundadores da revista Les cahiers européens del ‘imaginaire, que significa “Os cadernos europeus do imaginário”, criticou a veracidade, a credibilidade e a coerência das mídias através da massificação da cultura. Para compreender a comunicação pelas mídias sociais, Vincenzo elaborou uma relação entre representante, objeto e interpretante: “Estes conceitos citados não estão no mundo, eles são produzidos a partir da interpretação”, ponderou ele.

A pesquisadora da Universidade Aldo Moro, de Bari, na Itália, Cláudia Attimonelli, por sua vez, apresentou sua pesquisa sobre o Afrofuturismo, um movimento que utiliza a música, as artes plásticas e a moda como método para resistir à sociedade reprimidora. Para explicar este contexto, Claudia usou como exemplo o movimento que surgiu em Detroit, no estado de Michigan, nos Estados Unidos, chamado de Detroit Techno Militia, que mistura ritmos eletrônicos com o funk e o pop. A pesquisadora explicou ainda, o paradigma futurístico das culturas e a sua relação com o preconceito. Claudia, que também é professora da disciplina “Estudos visuais e multimediais”, no curso de Jornalismo de Aldo Moro, citou o apartheid racial no Ocidente, a segregação racial nos EUA e a busca pela alienação dos negros como aspectos prejudiciais à disseminação da cultura afro.

Na mesma conferência, o professor das universidades de Toronto, no Canadá e na Federico II, em Nápoles, Itália, Derrick de Kerckhove. Ex-aluno do famoso teórico canadense de comunicação Marshall McLuhan, Kerckhove divulgou a pesquisa sobre Singapura e o novo modelo de engenharia social implementado pelo governo que reúne dados sobre todos os cidadãos a partir dos celulares. “Singapura é a cidade com a maior penetração de smartphones do mundo” afirmou o professor. Além disso, citou a importância da preservação da identidade e da privacidade sobre os dados públicos nas redes sociais. Este possível sistema de controle de dados de todos os usuários, que diz onde foi, o que fez, o que disse, etc, foi denominado pelo professor de datacracia. Ele explica que é uma mescla da palavra data, que significa dados e cracia que vem de poder, força. O professor fez uma crítica ao sistema, ao citar o exemplo de que o cidadão de Singapura pode ser autuado pelo governo se sair “pelado do banheiro de casa”.

No último dia, foi a vez do professor de Literatura Comparada da Linnaeus University, na Suécia, Lars Elleström apresentar o seu conteúdo ao público. O professor, que preside o Centro para os Estudos de Inter e Multimodalidades e disciplinas no Intertional Society for Intermedial Studies, apresentou os resultados do seu artigo onde desenvolveu conceitos semióticos e a relação entre diferentes mídias. Durante a apresentação, Elleström citou várias vezes os termos extracomunicacionais e intracomunicacionais. O professor afirmou que estes tratados filosóficos são baseados em aspectos lógicos que envolvem a linguagem e o seu uso a partir de determinados símbolos compreendidos como sinais. O palestrante fez uma relação entre a imaginação e a comunicação. E, fez críticas sobre a veracidade e a credibilidade dos meios de comunicação de massa e que ao entender estes aspectos, passa-se pelo processo de transcender “as categorias grosseiras de ficção e não-ficção”.

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