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Cultura

Não me leve mal, hoje é Carnaval...

carnaval origemFoto: Divulgação

É chegada hora dos foliões encherem as ruas, a música das escolas de samba ecoar e os desfiles tomarem conta das avenidas. É Carnaval! Uma festa tradicionalmente conhecida no mundo, que a cada ano conquista mais apaixonados. Apesar da fama no Brasil, não foi aqui que ele surgiu. A palavra vem do latim carnis levale que significa ‘retirar a carne’. Antes de receber esse nome e vir para o Brasil, teve início junto aos povos na Antiguidade para celebrar as grandes colheitas ou louvar deuses. A equipe do Multiverso, em ritmo de folia, destaca as principais influências do nosso Carnaval.

Na Babilônia, eram realizadas as Saceias, conhecidas pelas trocas de papeis sociais, onde um escravo assumia a vida do rei, alimentando-se, vestindo-se como ele e até mesmo, deitando-se com suas esposas. Após a festa, o prisioneiro era executado. Ainda na Babilônia, no Templo de Marduk (um dos primeiros deuses mesopotâmios), o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado. A humilhação demonstrava a submissão do rei perante a divindade. Logo, ele assumia novamente o trono.

saturnalia origem carnavalPintura: 'Los romanos de la decadencia' (1847) por Thomas Couture

Na antiga Roma, as Saturnálias (deus Saturno) também permitiam que os escravos assumissem o lugar dos senhores, podendo, inclusive, ridicularizá-los. A festa também era feita por orgias. Já as Lupercálias (deus Luperco ou Pã) tinham como objetivo afastar os espíritos maléficos e purificar a cidade. As festas greco-romanas, bacanais (deus romano Baco) ou festas dionisíacas (deus grego Dionísio) eram marcadas pela entrega à embriaguez e aos prazeres da carne.

Essas festas possuem em comum a origem pagã, o que era mal visto pela Igreja Católica, que estava adquirindo poder na época. Além disso, a troca de posições sociais nas festividades não agradava, pois transmitia a inversão do papel de Deus e do Diabo. Assim, a igreja procurou reprimir esses festivais pagãos em 325 d. C., no Concílio de Nicéia. Contudo, sem obter resultados em extingui-las, em 590 d.C., o Papa Gregório I agregou as festas ao calendário, antecedendo a Quaresma. Ou seja, uma época de excessos seguida de outra de privações e reflexões das ações.

culto a baco lawrence alma tademaPintura: 'Culto a Baco' (1889) por Lawrence Alma-Tadema

Apenas no século XII, em Veneza, o Carnaval se consolidou. Depois foi para Espanha, Portugal e França, que a trouxeram para o Continente Americano. Somente no século XVI, o Carnaval foi introduzido no Brasil pelos Portugueses, sendo chamado de ‘Entrudo’ (dar entrada), referindo-se à entrada da Quaresma. No Nordeste, a festa se mesclou com a ‘Folia de Reis’, somando-se às tradições e ao folclore local, dando origem aos carnavais de Recife, Olinda e Manaus.

No século XVIII, no Rio de Janeiro, os primeiros cordões (grupos de pessoas mascaradas) surgiram. Eles passavam pelas ruas cantando e dançando. No século XIX, surgiram os primeiros bailes de salão, inspirados nos carnavais franceses, frequentado, normalmente, por pessoas mais ricas. Durante a virada para o século XX, começa o Carnaval como conhecemos atualmente. Em 1890, a compositora Chiquinha Gonzaga criou a primeira marchinha de Carnaval Carnaval, ‘Ô Abre Alas!’. Obra composta para o cordão Sociedade Rosas de Ouro que desfilava pelas ruas do Rio Janeiro.  Em 1928, surge a primeira escola de Samba a ‘Deixa Falar’. No ano seguinte, acontece o primeiro concurso entre escolas de Samba. Participaram a Mangueira, Estágio de Sá (antiga Deixa Falar) e Osvaldo Cruz (a atual Portela).

O Multiverso deseja um Carnaval de muita festa para quem curte o Carnaval e muito sossego para quem prefere a tranquilidade. Que seja um feriado especial, afinal depois de tudo, é hora de reorganizar a rotina e retomar os estudos.

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