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1988: O Brasil à espera da democracia

decada perdida diretas jaFoto: Divulgação

O ano de 1988 foi um marco na democracia brasileira. Há 30 anos era promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil, a sétima Carta Magna na história do país. Hoje, estamos às vésperas de uma eleição que vai eleger presidente, governadores, deputados federais e senadores. O processo democrático está calcado na Constituição. Mas, questões como a comunicação e a tecnologia passam a ser agentes influenciadores deste processo eleitoral.

O Multiverso preparou uma série de quatro reportagens especiais que ajudam a compreender o contexto nacional e a importância na nova legislação, principalmente em períodos eleitorais.  A primeira recorda o cenário político, econômico e social de 1988. A segunda matéria reflete sobre a nova constituição. A terceira apresenta o Artigo 5° e as bases fundamentais do direito do consumidor, importantes para o Jornalismo e para a Publicidade e Propaganda. A última reportagem, analisa o cenário da próxima eleição, na perspectiva da Comunicação e da presença na tecnologia, leia-se internet e redes sociais digitais, no contexto nacional.

 

Nos idos de 1980

Os anos 80 no Brasil, na perspectiva econômica, são conhecidos como a ‘Década Perdida’. A maioria dos países da América Latinha, durante a Guerra Fria, utilizavam uma estrutura econômica que contava com um fluxo de empréstimos internacionais para o desenvolvimento interno. Devido a escassez de petróleo em 1973 e 1979, se criou um aumento inflacionário no preço do produto. Como o insumo é usado para produção de outras mercadorias, logo, os preços aumentaram consideravelmente. Em 1981, o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu -4,3%. Este cenário resultou em uma hiperinflação no início dos anos 90.

Em 1985, o Brasil dá um importante passo em direção ao processo de redemocratização, depois de duas décadas sob a égide do Regime Militar. O país presencia a primeira eleição, mesmo que esta tenha sido indireta, ou seja, a Assembleia Nacional Constituinte escolheu o novo presidente. Somente em 1989 o povo retomaria o direito ao voto, em uma eleição direta que elegeria Fernando Collor de Mello.

A chapa eleita tinha Tancredo Neves como presidente da República e José Sarney como vice. Houve uma euforia nacional, visto que representavam o PMDB (antigo MDB), vencendo Paulo Maluf, que representava o PDS (antiga Arena). Mas, Tancredo é hospitalizado antes de tomar posse. Ele passou por sete intervenções cirúrgicas e faleceu. O motivo da morte foi uma infecção generalizada. O vice-presidente José Sarney assume a presidência da República.

 

jose sarney sanciona leiFoto: Divulgação

Em 1986, Sarney lançou o ‘Plano Cruzado’, criado pelo ex-ministro da Fazenda, Dilson Funaro. O plano econômico congelou o aumento dos preços de produtos como alimentos e gasolina. Até, o dólar teve o preço tabelado pelo governo. Os salários não podiam subir e foi criada uma nova moeda, o ‘Cruzado’, que substituiu o Cruzeiro.

Essa ação conteve a inflação e aumentou o poder aquisitivo da população. O consumo cresceu, mas, após, quatro meses, as mercadorias se esgotaram. Como não era possível reajustar os preços, empresários e fazendeiros, que estavam sendo prejudicados, decidiram não colocar novos produtos à venda. No final do ano, o Plano Cruzado perdeu força e a inflação voltou a crescer.

Em 1987, Sarney suspendeu o pagamento dos juros da dívida externa (US$ 107 bilhões) por tempo indeterminado. O país não tinha condições de saldar a parcela de amortização. No mesmo ano, o mundo sofria com uma grave crise econômica (Black Monday) que afetou a bolsa de valores em muitos países.

No ano seguinte, 1988, nasceu o PSDB, criado por dissidentes do PMDB (Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Mário Covas e André Franco Montoro) e Sérgio Motta. A televisão perdia Abelardo Barbosa, o Chacrinha, aos 70, vítima de um enfarte, em 30 de junho. Ainda na televisão, é lançado o programa semanal TV Pirata, na rede Globo. Com nomes como Ney Latorraca e Cláudia Raia, se destacava por ser uma revolução do humor.

 

legiao urbana decada oitentaFoto: Divulgação

Em meio a isto, Rock nacional representava uma revolução na música brasileira, tratando de questões políticas, sociais e econômicas do país. A música serviu como ferramenta para alavancar debates que trouxessem reflexão e incentivassem preocupações políticas. Bandas pequenas, que muitas vezes, começaram em garagens, ganharam popularidade através de canções com forte crítica e letra irreverente.

Neste cenário, em 22 de setembro, a nova constituição brasileira é aprovada.  A promulgação acontece no dia 05 de outubro. No mesmo dia, cria-se os estados do Amapá, Roraima e Tocantins.  A Comunicação Social, depois de 20 anos de censura, se beneficia com a ‘Ordem Social’. A nova carta traz um capítulo específico para garantir a tão sonhada Liberdade de Expressão.

O Multiverso preparou uma playlist de músicas que marcaram o final dos anos 80. São canções carregadas de criticidade e de um desejo por um Brasil melhor. Confere!

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