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07 de abril - Dia do Jornalista: de Líbero Badaró à internet

 libero badaro pinturaFoto: Divulgação -  Líbero Badaró

Hoje, é o Dia do Jornalista. A data comemorativa foi criada em 1931, pela Associação Brasileira de Imprensa, em homenagem João Batista Líbero Badaró, médico e jornalista, executado por seus inimigos políticos em 1830. Líbero Badaró, como era conhecido, era um opositor ao reinado de D. Pedro I, e como tal lutava pelo fim da monarquia e a liberdade de imprensa.

Foi fundador do jornal Observatório Constitucional. O periódico tratava de temas políticos barrados e omitidos pelo Imperador. As últimas palavras proferidas por Líbero Badaró, antes da execução, ficaram famosas: “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”.

Ele era homem de destaque na sociedade da época, tanto que sua morte desencadeou um movimento popular que contribuiu para que um ano mais tarde, em 1831, D. Pedro I renunciasse seu poder. Portanto, foi um personagem que contribuiu com a história do Jornalismo e da Comunicação.

Considerando a trajetória de Líbero Badaró, o Multiverso conversou com a Profa. Dra. Sandra Bitencourt, docente dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda, do IPA. A professora tem Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação (PPGCOM - UFRGS), área de Comunicação Pública - Mediações e Representações Culturais e Políticas. Ela tratou sobre a história e os caminhos que o jornalismo e a comunicação vêm percorrendo e projeta um futuro e o novo cenário com o advento da comunicação na era digital.

 sandra bitencour sete abrilFoto: Arquivo Multiverso

Multiverso: Qual a importância da atuação e do legado deixado por Líbero Badaró?

Profa. Sandra: Não é por acaso que, inclusive, ele dá nome a um importante prêmio de jornalismo. É essa ideia de função social que o jornalismo tem, de fiscalização do poder. A atuação do Líbero Badaró foi muito nesse sentido, de evocar a liberdade e o direito de criticar e fiscalizar o poder, sempre na defesa do interesse público. Isso permanece, é um fundamento do jornalismo. Até hoje, se tem isso como um horizonte, como uma questão normativa. É o que o jornalismo deve fazer, é um dos papéis sociais que ele tem.

Multiverso: A evolução da comunicação não deixa de frente com a internet. Vai chegar o dia em que a internet tomará o lugar da televisão e passará a ser a principal fonte de informação do público geral?

Profa. Sandra: Essa previsão é difícil de fazer.  O que a gente vê ao longo da história é como o homem foi encontrando meios, mídias e modos de ampliar e melhorar a comunicação. Toda vez que essa ampliação aconteceu, a sociedade se transformou. Então, se hoje a plataforma tecnológica é tão espetacular, pense o que foi para humanidade conseguir codificar a fala e a escrita de modo a poder registrar os eventos e poder compartilhar conhecimento.

Ao observar o século XX, quando emergem, como indústrias, os principais meios de comunicação, a TV, o rádio e o jornal impresso, como a gente conhece hoje, percebe-se que nenhum deles tomou o lugar do outro. Eles são complementares. Hoje, na agenda de quem faz pesquisa no campo da comunicação e da tecnologia é que, sim, algumas plataformas vão mudar, mas que a internet funciona diferente de outros meios como um lugar, um locus, onde estão todos os outros veículos também. O rádio vai se transformar. Hoje, existe o rádio na web. A televisão também, hoje as pessoas assistem TV de outro modo, na internet pelas plataformas de streaming. O jornal também não pode mais esperar pela sua impressão, então ele vai estar presente ali. Talvez, sim, esteja tudo convergindo para que na internet esses diferentes meios se organizem.

 o globo edicao antigaFoto: Divulgação

Multiverso: Atualmente, de que forma é vista a fusão entre as plataformas de informação, como por exemplo, próximo a nós, a fusão entre rádio e jornal exercida pelo veículo?

Profa. Sandra: Ao mesmo tempo que a gente tem veículos distintos e bem demarcados pela sua linguagem, pelas suas especificidades e pelas qualidades do que se tem, por exemplo, o veículo rádio foi revolucionário. Ele podia narrar o mundo sem exigir muita habilidade do outro lado, ou seja, a pessoa não precisava saber ler para obter a informação. Ele permanece com essa característica popular de serviço. Vamos associar isso dentro de uma plataforma. Hoje se sabe que as pessoas ouvem o rádio no celular, no carro, acessam de outros modos, e isso me parece ser a tendência.

Como isso, vai ser organizado de modo a não sobrecarregar os trabalhadores, os jornalistas da área de comunicação que muitas vezes, precisam desempenhar vários papéis e tarefas, ganhando um único salário, é um desafio também para o nosso campo pensar. Mas, precisamos nos convencer que é preciso produzir conteúdo de vários modos. A produção de conteúdo, com o compromisso e o papel social, de fiscalização do poder, em defesa do interesse público, com relevância, acaba tendo lugar, independente de como vai ser organizadas essas novas plataformas.

Multiverso: O jornalismo vive uma crise?

Profa. Sandra: Sim. O jornalismo está em crise em vários aspectos justamente porque se está vivenciando um ambiente de mudança, de transformação. Mas, talvez, o que boa parte dos profissionais e estudiosos da área vem repetindo é que se vive sob uma torrente de informações com dificuldade de identificar o que é verdade, o que não é. O jornalismo nos traz esse estatuto da verdade, da construção da realidade. Se a gente pudesse definir de uma maneira muito singela, muito simples, o jornalismo se baseia tecnicamente na apuração, ou seja, precisa apurar aquele fato/notícia e na redação. Precisa contar aquilo de uma maneira objetiva, clara e lógica que seja compreendido por todos. Isso permanece no jornalismo, e é cada vez mais necessário no sentido que ele vai fazer uma espécie de curadoria, de filtro, de hierarquia, do que realmente é verdadeiro, relevante, de interesse público e que precisa de explicação.

O jornalismo tem que ter também, esse papel de explicar o mundo, e isso não vai mudar, talvez ele se torne mais necessário. Bom, sob que formatos, que regimes trabalhistas, sob que modelos de negócios... isso é o tensionamento, isso é o que está em disputa nesse momento em tentativas de descobertas.

 radio antigo seculo vinteFoto: Divulgação

Multiverso: Então, não podemos perder de vista que a comunicação é algo inerente ao sujeito?

Profa. Sandra: Como acontece ao longo da história, o que não vai se prescindir, nunca, é a necessidade de comunicação. Somos seres que se comunicam, somos relações de comunicação e cada vez mais, me parece que esse lugar do jornalismo se torna mais importante, relevante, sendo necessária nossa crítica como profissionais da área, para entender essa relevância. Não podemos esquecer que vivemos em um mundo de visibilidade, em uma grande arena simbólica onde todas as disputas se dão pela via da comunicação. Portanto, precisamos seguir um jornalismo ético e de interesse público, que esteja associado a este interesse social. Para mim, é mais relevante do que sobre qual tecnologia a gente vai precisar fazer isso.

Comunicação: uma breve linha do tempo

A comunicação é a área do conhecimento em que se estuda todo e qualquer tipo de relação comunicacional, seja ela entre pessoas ou objetos. Ela percorreu a história do homem desde a Antiguidade e engloba as diversas formas de interação entre as pessoas. Em suas diversas formas, passou por muitas transformações até estar na forma que é conhecida hoje.

Um dos primeiros registros que se tem a respeito da escrita e da comunicação está no modelo de Cuneiforme, utilizado na Mesopotâmia, cerca de 3.500 a.C. O principal uso era para questões de administração e contabilidade. Para conseguir decifrar este tipo de escrita, necessitava-se de um conhecimento vasto sobre a cultura e a história das civilizações que existiam nesse período.

 

  • 59 a.C

    Anos mais tarde, por volta de 59 a.C, em Roma, surgiu o que os historiadores chamam de ‘o primeiro jornal do mundo’: a Acta Diurna. Tratava-se de uma publicação oficial criada pelo Imperador romano Júlio César. Os principais temas eram as conquistas militares e as questões de ciências e política. Como durante este período não havia tecnologia nem maquinário para realizar impressões, a publicação era feita em enormes placas brancas de papel e madeira, parecido com um outdoor, expostas nas principais praças das cidades para que as pessoas pudessem ler gratuitamente.

  • 1447

    O ano de 1447 é emblemático. O jornal foi modernizado com a invenção da prensa. Johann Gutemberg, inventou uma máquina que permitiu uma maior velocidade na publicação e disseminação de cultura, conhecimento e notícias.  Letras móveis eram feitas de cobre e alocadas em uma base de chumbo onde recebiam tinta e eram prensadas contra o papel.

  • 1844

    Em 1844, surge o Telégrafo, um aparelho que transmitia mensagens de um local a outro, percorrendo grandes distâncias e fazendo uso de códigos para realizar a transmissão. O código mais conhecido desta época foi o Morse, inventado por Samuel Morse, em 1830. Este tipo de comunicação foi muito utilizado por militares de diversos países em períodos de guerra.

  • 1890 e 1920

    Os anos vividos entre 1890 e 1920 ficaram conhecidos com a Era de Ouro dos jornais, tamanha era a atividade destes veículos. Junto com a chegada dos anos 20, veio também o rádio. Em um primeiro momento, o rádio fez com que as vendas dos jornais despencassem, uma vez que o rádio tomava para si o público, os anunciantes e até mesmo os profissionais de jornalismo. Foi a primeira vez que a mídia impressa passou a ter um concorrente-competidor com grande influência.

    O rádio foi patenteado pelo físico e ganhador do Nobel de Física Guillermo Marconi. Uniu as tecnologias da época (telégrafo elétrico, radiação eletromagnética e telefone com fio) em prol da Comunicação. Como suas ondas, tinha um alcance e uma velocidade expressiva. A informação era transmitida de forma mais ampla. Foi e ainda é, uma das invenções que mais revolucionaram a comunicação.

  • 1950

     Logo mais à frente, em 1950, surge a televisão. Desta vez, a mídia impressa e o rádio sentem a chegada da nova invenção. Tornou-se um meio de disseminação de informação e ideologia, alterando, portanto, de forma significativa a sociedade.

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