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Esportes

#Deixaelatrabalhar: empatia e companheirismo é preciso

O Multiverso, em apoio à campanha #Deixaelatrabalhar, entrevistou Bruna Dealtry, ex-atleta profissional do vôlei de praia, jornalista e repórter do Esporte Interativo. Ela foi beijada à força por um torcedor durante uma transmissão ao vivo. O movimento é uma iniciativa das jornalistas que atuam no esporte, contra o machismo, o desrespeito e o assédio nos estádios, em ambientes de trabalho, nas redações, nas redes sociais e onde quer que aconteçam.

O movimento atraiu jornalistas reconhecidas, como Fernanda Gentil, Cris Dias e Carol Barcellos. A visibilidade do caso foi tamanha e foi destaque internacional. Com palavras, como sororidade, que significa a união e a aliança entre mulheres em busca de alcançar objetivos em comum e empoderamento ganhando cada vez mais força, o cenário atual é ideal para uma discussão mais abrangente.

 

A entrevista

brunaFoto: reprodução/Facebook

Bruna Dealtry afirma que durante sua trajetória no jornalismo esportivo, presenciou algumas situações machistas. Ocorriam, também, através das redes sociais quando ela transmitia ao vivo em treinos e pré-jogos. “Recebia muitas mensagens constrangedoras e agressivas de homens, alguns inclusive diziam que eu não tinha que estar falando de futebol, e sim lavando a roupa. Isso me incomodava muito, mas assedio físico foi a primeira vez”.

A repórter narra que nunca levantou a bandeira de feminista e não pensava no assunto, até então. Passou a aprender sobre o feminismo somente após o ocorrido. “Sou muito a favor de direitos iguais, da mulher ter mais oportunidades, porque ainda existe uma diferença grande principalmente no jornalismo esportivo. Precisamos de salários iguais e oportunidades iguais em todas as profissões”. Ela não apoia que o feminismo deva gerar uma rivalidade entre homens e mulheres. Diz ser contra às agressões e a favor de debates saudáveis para tratar do assunto e gerar o progresso entre os gêneros.

A jornalista conta que o movimento Deixa Ela Trabalhar nasceu após o assédio sofrido por ela. Foi criado, então, um grupo no WhatsApp com outras duas colegas do Esporte Interativo, Taynah Espinoza e Aline Nastari. A partir daí, novas integrantes de outros canais de comunicação começaram a entrar no grupo. “Fomos construindo um debate e nos desconstruindo, porque até chegar no formato ideal do movimento demorou uma semana. É um movimento que continuará, vamos continuar fazendo outras ações também” comemora ela.

Bruna relata que pretende continuar tomando medidas para diminuir o machismo e o desrespeito no ambiente de trabalho jornalístico e nos demais. As mulheres envolvidas na causa estão em contato com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para ver o que pode e deve ser feito na prática, quando há situações machistas e abusos. O objetivo é a criação de leis mais severas para defender a mulher nos estádios e defender as profissionais que estão trabalhando em diversas áreas, também. “Descobrimos um grupo de advogadas que atuam defendendo mulheres que passaram por algum tipo de assédio e machismo. Estamos vendo possibilidades para ajudar cada vez mais as jornalistas e as mulheres de todas as profissões a trabalharem sem nenhum tipo de preconceito”.

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