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O Primeiro Baque do Facebook

mt mais markFoto: Divulgação Estadão

Diversos são os motivos que estão fazendo com que grandes marcas deixem de anunciar produtos e serviços no Facebook, uma das maiores plataformas de relacionamentos conhecida. Algumas marcas de expressão internacional, como por exemplo Nike e Adidas não mantêm a mesma periodicidade nas postagens na rede.

Dentre os principais fatores que corroboram para que algumas marcas deixem de anunciar produtos no Facebook é a nova política de distribuição de dados feita pela plataforma. Desde janeiro de 2018, Mark Zuckerberg, diretor do Facebook, adotou a política de cortar e até barrar as tentativas de comércio e obtenção de lucros por parte das empresas.

A plataforma agora está dando mais atenção e ênfase para as relações de amizades, preferindo distribuir e propagar os conteúdos de amigos do que divulgar informações e anúncios de marcas e publishers. Neste sentido, alguns veículos, inclusive nacionais, como por exemplo a Folha de São Paulo, anunciaram que deixarão de publicar notícias e conteúdos na fanpage.

No caso da Folha de São Paulo, vale fazer o registro para uma questão ideológica. O jornal passou a ver a possibilidade para a criação de ‘bolhas ideológicas’, o que possibilitaria a propagação e distribuição de notícias falsas.  

Mas, as fakenews são apenas um dos motivos que estão influenciando as marcas a deixarem de usar o Facebook. Um fator que colaborou para que ocorresse essa migração para outras plataformas, como por exemplo o Instagram, foi o vazamento de dados em favor do Instituto Cambridge Analytica, sediado em Londres, na Inglaterra. Esse fato resultou na maior crise da história do Facebook. O instituto burlou o sistema de política de segurança e privacidade da rede e obteve acesso a dados de mais de 87 milhões de usuários. As informações foram utilizadas na campanha presidencial do atual presidente norte-americano Donald Trump, eleito em 2016.

As consequências da crise

Como resultado dessa crise vivida, pela primeira vez, as ações do Facebook caíram (cerca de 7%, segundo site especializado) e marcas e veículos importantes estão deixando de utilizar a plataforma como fonte de propagação de notícias e realização de comércio.

Esperava-se por um comunicado do presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg. Ele se manifestou perante à Corte Americana, rejeitado o convite feito por deputados britânicos ao presidente da empresa, pois desconfiava-se que tais dados também tenham sido usados quando da votação do Brexit.

Na sessão realizada nos EUA, Zuckerberg foi indagado por representantes dos Comitês de Justiça e Comércio do Senado dos EUA e por representantes do Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes (essa última equivalente à Câmara dos Deputados brasileira).

Especialista em direito digital, Renato Opice Blum, em matéria divulgada ao jornal Meio&Mensagem, em março de 2018 reforça que deveria haver um contrato de ‘termos de serviço’ mais claro, menos doloroso à leitura dos consumidores. Segundo o especialista, a regulação do setor de tecnologia deveria começar pela adequação desses contratos. Para ele, mesmo que estes contratos sejam lidos, não é raro que o consentimento ocorre sem a devida interpretação do significado.

Outro ponto importante está no tipo de contrato estabelecido entre a plataforma e o usuário. Blum destaca que não há a possibilidade de negociação entre os dois. Se trata muito mais de uma forma de um contrato de adesão do que qualquer outro tipo. A recusa de termos pré-estabelecidos significa então, em uma impossibilidade de utilizar a plataforma/rede social.

Antes da divulgação desses acontecimentos, a empresa eMarketer, instituto especializado em pesquisa de mercado, chegou a prever que o faturamento do Facebook chegaria perto dos 20 bilhões de dólares. Entretanto, após esses escândalos, teme-se por uma baixa nesses valores. Especialistas acreditam que os anunciantes e as marcas não cortarão totalmente os investimentos feitos nesse tipo de propaganda. Porém, estima-se que será cobrada uma maior transparência por parte da plataforma.

O novo desafio proposto ao mercado é compreender como é será possível gerar conteúdo nas plataformas digitais. Junto a isso se faz cada vez mais necessária a implementação de ordenamentos jurídicos que regulem a atuação e a situação. Neste sentido, há dois exemplos, um internacional (o Regulamento Geral de Proteção de Dados – GDPR) e outro nacional (o Marco Civil da Internet) que apontam diretrizes a serem seguidas.

O Regulamento Geral de Proteção de Dados estabelece regras relativas ao tratamento, por uma pessoa, empresa ou organização de dados pessoais relativos a União Europeia. Enquanto, o Marco Civil da Internet estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil e determina as diretrizes para atuação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em relação à matéria. Tramitam no Congresso Nacional ao menos três projetos que versam sobre o assunto. Dentre eles, um em especial (PL 5276/2016), elaborado pelo Poder Executivo que determina a criação de um órgão exclusivo para verificar a proteção de dados.

Entenda o caso envolvendo o vazamento de dados

O Instituto Cambridge Analytica obteve dados os usuários do Facebook a partir da realização de um teste de personalidade feito por meio de uma sequência de cinco perguntas, chamadas de ‘Big Five’. Após obter as respostas dessas cinco perguntas, acontecia uma espécie de divisão das pessoas por grupos.  As cinco perguntas tratavam de novas experiências e aventuras (você está aberto a novas aventuras?), de responsabilidade (o quão cuidado você é?), de extroversão (gosta de uma festa?), de agradabilidade (quanta compaixão você sente pelos outros?) e de irritabilidade (você se irrita com frequência?).

Com esses dados em mãos, foram administrados e gerados conteúdos e anúncios para os específicos grupos, em uma espécie de seleção e direcionamento de informação. Se isso interferiu ou não nas últimas eleições presidenciais norte-americana, em 2016, pouco se sabe, uma vez que é praticamente impossível afirmar que uma pessoa votou de tal modo por causa de anúncios e conteúdos publicados no Facebook. O que se sabe é que tal conduta pode influenciar o comportamento e deflagrar a fragilidade quanto à segurança da informação e dos dados dos usuários do Facebook.

O Multiverso selecionou alguns sites que trazem notícias sobre a crise vivida pelo Facebook. Confere aí.

Meio&Mensagem

Blog Marketing de Conteúdo

G1

UOL Notícias

BBC Brasil

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