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Rádio IPA

Kelly Matos discute ao vivo o papel da mulher no ambiente esportivo

20180416 203741Foto:Martha Dias

“Depois que a porta se abre, não tem mais como recuar. Agora as mulheres estão no jornalismo esportivo e isso não vai mudar. Então nos deixem trabalhar”, diz a jornalista e apresentadora da Rádio Gaúcha Kelly Matos. Ela foi a convidada especial do Projeto Interdisciplinar do curso de jornalismo e publicidade e propaganda, sob coordenação do Prof Dr. Fábio Berti. A convite dos alunos gravou um programa sobre a campanha #deixaelatrabalhar, que mobiliza jornalistas que atuam nas editorias de esporte.

A gravação foi acompanhada também pela turma de Teorias da Comunicação, da Prof Dra. Sandra Bitencourt. E ao final, se produziu um grande debate. Kelly Matos contou sobre a criação do movimento e relatou sua própria experiência no ambiente de trabalho, tanto esportivo, quanto político. A roda de alunos entrou na discussão sobre diferentes temas e debateu palavras, expressões e atitudes que podem ferir diferentes segmentos da sociedade. Kelly pediu atenção para a palavra sororidade, que se baseia na empatia e companheirismo. “Tem que pensar no outro, se colocar no lugar. Quando alguém faz uma piada que contém ofensa de gênero, que é racista, que é homofóbica, eu sempre pergunto: é engraçado pra quem?”, exemplifica.

Kelly Mattos contou sobre as experiências vividas dentro da redação e até mesmo sobre fatos curiosos ao estar ao vivo diariamente no rádio. Em seus depoimentos fica evidente a força da inclusão social que o rádio tem na vida das pessoas. Um dos exemplos relatados foi o aprendizado e a emoção ao conduzir uma entrevista inédita com uma pessoa com síndrome de Down. Ela ouviu primeiramente a desembargadora carioca que fez uso de suas próprias redes sociais para criticar uma professora com Down, insinuando que essa profissional não teria nada a ensinar a alguém. No dia seguinte, a produção agendou entrevista com a professora portadora da deficiência. Kelly confessou que quase desistiu, que ficou tensa pelo ritmo lento de fala da entrevistada, mas que depois se deu conta que o tempo dela era outro e a conversa foi emocionante.  “Foi uma grande lição, uma experiência inexplicável”.

20180416 204144Foto:Martha Dias

Sobre o machismo, ela narra que a agressão do torcedor é bem explícita, enquanto que por trás das câmeras, dentro da redação é tudo mais velado, mesmo sendo muito presente. “Eu fui a primeira mulher a entrar na bancada da sala de redação e pretendo continuar abrindo caminho por entre esses espaços masculinos. É difícil, tem que respirar fundo e não desistir.”, recomenda.

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