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Quanto custou o ‘descobrimento’ do Brasil para o próprio Brasil?

descobrimento do brasilFoto: Divulgação

O Brasil é um país de inúmeras riquezas, mas que carrega consigo um pesado fardo de desigualdade e de preconceitos. Os dias 21 e 22 de abril são datas que merecem uma reflexão por parte do povo brasileiro. Lembramos o dia em que fomos encontrados pelos portugueses, iniciando um período de choque entre culturas e de saques de diversas naturezas. E, recordamos que ideais de igualdade e liberdade jamais podem nos ser suprimidos. O Multiverso te convida a refletir sobre o povo que nos tornamos nos últimos 518 anos de história.

No dia 22 de abril de 1500, desembarcaram em solo brasileiro, as 12 caravelas vindas de Portugal, comandadas por Pedro Alvares Cabral. Os navegantes chegaram no que hoje é conhecido como o estado da Bahia, batizado na época como Monte Pascoal.  ‘Descobrimento’ talvez não seja o termo mais correto a ser utilizado, pois no Brasil viviam cerca de dois milhões de índios. O descobrimento pode ter ocorrido na visão europeia, uma vez que para o povo indígena, tratou-se muito mais de uma invasão.

frota de cabral descobrimento

Entretanto, vale comentar que alguns importantes historiadores contam que em dezembro de 1498, Duarte Pacheco, um navegador espanhol de extrema confiança do rei de Portugal Manoel I, já havia ‘descoberto’ o Brasil. Sua navegação teria desembarcado na fronteira dos estados do Maranhão e Pará.

A partir do momento em que índios e portugueses trocaram olhares e objetos iniciou então o que historiadores chamam de ‘encontro de culturas’. Porém, pode ser entendido como o início da exterminação dos índios e da cultura indígena, uma vez que muitos morriam em combates com os portugueses. Outros não resistiam às doenças trazidas pelos europeus, como a gripe, a tuberculose e a sífilis.

Os portugueses ‘trocavam’ espelhos, apitos, chocalhos e colares com os índios, e estes, atrelados a ideia da troca, ofereciam horas de trabalho escravo. Se fosse necessário para conquistar novas terras, os portugueses não hesitavam e matavam os índios. E assim, começou o extermínio dos índios e sua cultura.

Após o descobrimento do Brasil, cerca de 300 anos passaram até um novo marco da história brasileira, a Inconfidência Mineira (1789). Em 1785, a Rainha de Portugal, Maria I, também, conhecida como a “Louca’ implementou pesadas restrições à atividade industrial no Brasil e a cobrança abusiva de impostos.

Na época, os ideais iluministas de igualdade e liberdade de pensamento se espalhavam na Europa. Logo, tal influência chegou até a elite colonial do Brasil, fazendo proprietários rurais, intelectuais, clérigos, militares, entre outros organizarem o movimento conhecido como a Inconfidência Mineira. Entre eles, o mais famoso foi Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

tiradentes inconfidencia mineiraFoto: Divulgação

Segundo Prof. Me. João Aço, existem certas características do Brasil Colônia que ainda estão presentes hoje. É o caso da escravidão. O historiador observa que uma das razões é que o país não refletiu sobre as consequências do ato da escravidão. “Se fizermos um paralelo com a Alemanha, ela buscou se retratar e apagar culturalmente os erros cometidos nas Guerras Mundiais, que aliás, aconteceram bem depois do fim da escravidão no Brasil”, afirma. Ele complementa explicando que após a escravidão (1888), não houve uma inclusão dos negros e mestiços, não oportunizando chances de crescimento educacional e profissional.

Em relação aos problemas econômicos, João diz que a elite ainda é retrógrada, preferindo investir em matérias-primas, deixando de focar em outras áreas como a tecnologia e a educação. “Nossas elites são conservadoras. Acreditam que o Brasil só tem vocação para agroindústria”, ressalta. Ele esclarece que parte dessa elite nem mora mais no país, apenas usa Brasil para ganhar dinheiro. “Eles são como os nobres portugueses que exploravam o país no período colonial”.

Durante a Inconfidência Mineira, os manifestantes sofreram forte represália do governo, causando a expulsão de alguns membros do Brasil e a execução de Tiradentes. Hoje, a censura está presente para os que tentam se opor às decisões de quem está no poder, pondera o professor de História. “A Justiça é elitista, ela pesa em cima de uns e alivia para outros”, lamenta ele.

Cerca de dois séculos passaram desde a Inconfidência Mineira. Mas, o Brasil ainda sofre com problemas básicos, nas esferas política, econômica e social, que impedem que os ideais de Tiradentes e de tantos outros líderes possam ser de fato usufruídos por todos. Vivemos mais um ano eleitoral, logo, cabe uma reflexão: cada cidadão precisa fazer valer o voto. Este é o caminho mais acertado para que a democracia se solidifique. O Brasil não pode esperar mais.

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