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Publicidade e Propaganda

Femvertising: a publicidade pela equidade de gênero

cartaz 1

A propaganda é um agente catalizador de mudanças capaz de influenciar positiva ou negativamente o público. Diante da demanda de uma sociedade em transição, onde 65% das mulheres brasileiras não se identifica com a publicidade, surgiu o Femvertising (female advertising), movimento pautado na ideia de que a publicidade pode contribuir com o empoderamento das mulheres e, ainda assim, cumprir seu papel como ferramenta de comunicação das marcas. O Multiverso te convida a fazer uma reflexão sobre a temática.

A campanha da marca Always, sobre ‘O que é fazer as coisas tipo menina’ é uma forma interessante de entender a importância do Femvertising. A intenção do vídeo é entender como uma garota pode perder a confiança, pelo simples fato de ser uma menina.

 

O empoderamento feminino se tornou uma causa apoiada por várias marcas. Nos últimos anos, o assunto tem sido discutido por diversos setores da sociedade. Foi tema de debates nas redes sociais, ganhou destaque nas capas de revistas, no cinema, na TV e no mercado publicitário. Femvertising é um neologismo que ganhou destaque em 2014, surgido da junção das palavras feminism (do inglês, feminismo) e advertising (do inglês, publicidade). Neste mesmo ano, o termo se popularizou devido à abordagem da importância da compreensão das marcas em atingir o público feminino de forma adequada.

 

Femvertising

A coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda, Profa. Me. Nancy Vianna explica que o empoderamento feminino nas campanhas publicitárias busca emitir confiabilidade aos consumidores e propicia um relacionamento mais estreito com o target. "Quando o consumidor se reconhece na história que está sendo apresentada, além de se sentir representado, o incentiva a continuar em frente".

Ela conta que, sendo publicitaria e professora, produziu conteúdos a partir do conceito do Femvertising. Ela possui pesquisas científicas publicadas com esta temática: Natura e o discurso sobre a mulher de 70 e As marcas e o envolvimento humano: Dove há uma década redefinindo os estereótipos femininos. Atualmente, Nancy está escrevendo sobre o reposicionamento de marcas que passam a contemplar as lutas sociais, entre elas, o empoderamento.

De todas as propagandas e marcas que abrangem o movimento Femvertising, Nancy conta que a Dove é a que mais lhe chama a atenção. A marca foi pioneira em questões de valorização da mulher e se posiciona desta forma desde 2004."É uma trajetória carregada de valores sociais extremamente importantes para um crescimento saudável".

A publicitária recorda que o termo Femvertising foi cunhado em 2014, pelo observatório de mídia americano SheKnows http://www.sheknowsmedia.com/, que reúne iniciativas e estudos em prol da igualdade de gênero. Ou seja, são propagandas que valorizam o empoderamento feminino, por meio do discurso, mesmo que não seja dito algo a respeito, a imagem deve fortalecer o ideal.

A professora pondera que não se considera feminista, mas sim uma mulher que reconhece a luta por igualdade e valorização de todas as pessoas. "Tenho por inspiração Rosa Parks, que não se moldou aos padrões da sua época, mas se levantou como alguém que queria fazer a diferença e que sabia que seu posicionamento, além de incentivar outras ações positivas para a evolução da sociedade, reafirmariam as carências daquela época, fazendo as pessoas refletirem e não permanecerem indiferentes". Ela afirma, também, que não se pode aceitar a injustiça, a desigualdade, a intolerância. Em lugar disso, deve-se promover ações transformadoras e com o objetivo de tornar o mundo um lugar melhor.

 

Saiba mais:

O HuffPost Brasil, site notícias e opinião sobre política, sociedade, entretenimento, comportamento e virais, do Brasil e do mundo, publicou uma coletânea de seis campanhas que quebram o estereótipo do que é ser mulher.

Acesse aqui https://www.huffpostbrasil.com/2014/10/09/6-campanhas-publicitarias-que-quebram-o-estereotipo-sobre-ser-mu_a_21665685/

Acesse aqui https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/CSO/article/view/3848 artigo da Profa. Me. Nancy Viana, intitulado Natura e o discurso sobre a mulher de 70.

O artigo As marcas e o envolvimento humano: Dove há uma década redefinindo os estereótipos femininos integra o livro Século XXI: o humano como centro da gestão. A obra foi organizada por Ângela Maria Garcia dos Santos Silva e José Antônio Fracalossi Meister e publicado pela Editora Conceito, em 2016. Pode ser acessada na Biblioteca do IPA, sob o número de chamada 658S452.

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