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Geral

#DeixaElaTrabalhar: elas não vão mais parar

O Multiverso IPA esteve presente na palestra intitulada como Aula de Jornalismo Esportivo: #DeixaElaTrabalhar organizada pela UFRGS. O evento teve como intuito proporcionar aos alunos e à sociedade uma discussão e reflexão sobre os desafios de ser mulher em um ambiente extremamente machista como o futebol. Trouxe os bastidores sobre o surgimento do manifesto e da hashtag #DeixaElaTrabalhar. Segundo as mentoras do movimento, trata-se de uma campanha onde o objetivo é lutar contra o assédio moral e sexual sofrido por elas dentro dos estádios, nas redações e nas ruas.

O bate-papo contou com as presenças das jornalistas Danielle Della Passe, Débora de Oliveira (do SBT), Kelly Costa (da RBS) e Renata De Medeiros (Rádio Gaúcha). A mediadora foi Júlia Vargas.

 

jornalismo esportivo deixa ela trabalharFoto: Bruno Dornelles

 A jornalista Renata De Medeiros, que foi agredida por um torcedor no Grenal 413, em março, conta como surgiu o manifesto. Dez jornalistas do canal do Zico discutiu a possibilidade de ter um grupo para debater a presença da mulher no jornalismo esportivo e as questões que envolvem o machismo e o assédio sofrido diariamente pelas mulheres. Foi criado então, um grupo de whatsapp chamado ‘Imprensa Power Girl’.

Na semana seguinte, Renata sofreu a agressão no Grenal. Na terça seguinte, aconteceu com a jornalista Bruna Dealtry, do Esporte Interativo. Na quarta foram adicionadas ao grupo Imprensa Power Girls. “A intenção inicial era que cada uma gravasse um relato de algo que sofreu e postasse isoladamente nas suas redes sociais. Só que o debate foi crescendo, e de 15 pessoas o grupo aumentou para 30 e depois 50, e a gente chegou à conclusão que o manifesto único que representasse todas nós, teria mais força”. O manifesto foi escrito com a participação de todos os envolvidos. “Gravamos tudo. O pessoal do RJ e de SP recebeu o material e editou, transformando nesse vídeo que vocês estão vendo”.

Por sua vez, a jornalista Danielle Della Passe contou que a temática foi discutida no seu Trabalho de Conclusão de Curso, ao tratar sobre a representatividade da mulher no telejornalismo do Rio Grande do Sul. Apresentou números e dados dos quatro principais programas de jornalismo esportivos de televisão aberta produzidos aqui no Rio Grande do Sul (Globo Esporte – RBS; SBT Esporte – SBT; Balanço na Rede – RECORD; e Os Donos Da Bola - BAND). Ela analisou durante uma semana esses programas esportivos e realizou um comparativo com as participações de jornalistas homens e de jornalistas mulheres. Explorou o que cada um fez e, em tabelas destacou as participações femininas e masculinas em cada um dos aspectos fundamentais dos programas: apresentação, reportagem, notas cobertas e comentários.

Ao total foram 19 programas analisados e 35 matérias apresentadas. Dessas 35 matérias, apenas sete foram feitas por repórteres mulheres. As outras 28 foram realizadas por repórteres homens. Dos boletins, 33 apresentados, apenas um foi feito por uma mulher (Kelly Costa) e o restante por repórteres homens. Quanto às entrevistas, foram noves, sendo apenas duas com mulheres, ambas conduzidas por Débora De Oliveira. Nas notas cobertas, foram 30 notas apresentadas, do total, 28 foram feitas por mulheres. Na ancoragem, 40% foi feita por mulheres, dos três apresentadores, duas são mulheres, Alice Bastos Neves e Débora de Oliveira.

Danielle Della Passe conclui a pesquisa ressaltando que “as mulheres estão com uma participação maior no jornalismo esportivo, mas ainda é discreta. Ainda não temos muitas comentaristas mulheres em virtude de não aguentarem a nossa opinião”.

 

jornalismo esportivo dois deixa ela falarFoto: Bruno Dornelles

Atuando há mais tempo no jornalismo esportivo, a jornalista Débora de Oliveira comenta como foi ser mulher na redação e como está agora a situação. “Mudou, e não mudou.” Contou sua trajetória de como iniciou no jornalismo esportivo, aos 17 anos, na Rádio ABC. Ela participou de um concurso onde, a cada dia, uma jovem participava dos debates. A ideia é saber se tinha qualificação para ser contratada. “Ou seja, não bastava tu saber de futebol, gostar de futebol, tu tinhas que enfrentar os homens e ter qualificação diante deles”.

Em outro trecho ela lamentou: “sei o quanto é complicado a gente, todos os dias, batalhar por esses espaços. Com relação ao SBT, de todos os lugares que eu trabalhei, é o lugar onde eu mais tenho respaldo e respeito”. Ela contou que coordena a equipe de esportes, é apresentadora do programa, e debate durante programa. “Tenho esse espaço na reportagem e ainda todas as decisões são tomadas com a minha participação, mesmo que seja uma decisão com a direção. Mas, não significa que às vezes, eles não me preservam de algumas coisas. Eu fico brava com isso, por eu ser mulher”.

frase deixa ela trabalharFoto: Divulgação

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