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Geral

Congresso discute as mídias sociais na Comunicação

ibercom 2015Derrick de Kerckhove, da Universidade de Toronto (Canadá), e Maria Immacolata Vassalo de Lopes, Presidente da Associação Ibero-Americana de Comunicação (AssIbercom). Foto de Letícia Carlan

O XIV Congresso Internacional Ibero-americano de Comunicação (IBERCOM) ocorreu na última semana, entre os dias 31 de março e 2 de abril, na Universidade de São Paulo (USP). O evento teve como tema central Comunicação, Cultura e Mídias Sociais e contou com referências em suas áreas de atuação, como os autores Lúcia Santaella e Derrick de Kerckhove.

Participaram pesquisadores, professores, estudantes de pós-graduação, pós-doutorandos das diversas áreas que constituem o campo de estudos da Comunicação, tanto brasileiros como dos países ibero- americanos.

Na conferência inaugural, Maria Immacolata Vassalo de Lopes, Presidente da Associação Ibero-Americana de Comunicação (AssIbercom), mostrou profunda felicidade ao levar para a Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP esse evento. Ela destacou que foi láque surgiu a semente, há29 anos, que fez surgir os encontros ibero-americanos de comunicação. Em 1986, neste mesmo local, ocorreu o I IBERCOM. O termo ibero-americano éutilizado para designar o grupo de países formado por Espanha, Portugal e as nações americanas independentes que foram antigas colônias destes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, GuinéEquatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Na conferência inaugural, Derrick de Kerckhove, da Universidade de Toronto (Canadá), afirmou que todas as tecnologias de rastreamento de dados estão atualmente convergindo muito rápido para serem absorvidas pelo e dentro do Big Data. A pertinência comercial e social de saber tudo sobre nós - para não dizer nada sobre as questões de segurança - faz com que essa tendência seja irreversível. O autor defendeu que "nosso destino como sociedade imersa numa cultura digital mundial ése tornar transparente. Este éexatamente o oposto dos efeitos da alfabetização que fizeram as pessoas individualmente opacas. As mídias sociais começam a "publicar" os jovens antes que eles tenham tempo para amadurecer como indivíduos. Cookies fazem todo mundo acessível por referências cruzadas a um nível que, diferentemente das mídias sociais não estão sob controle dos usuários". E completou: "Sem a maioria das pessoas perceberem, estamos agora sendo "impulsionados" pelo nosso"inconsciente digital" que tem mais poder sobre nós do que talvez o tipo freudiano. A transparência éum dos grandes efeitos da eletricidade desde a invenção do telégrafo e éa fonte mais visível de uma mudança de civilização que éagora mundial". Derrick deixou para o público importantes questionamentos: "Devemos ter medo dela? Podemos fazer alguma coisa a respeito? Como podemos facilitar a transição de sermos cidadãos privados para nos tornar um nóem uma rede global?”.

No segundo dia do evento, na Mesa Temática 1 - Mídias Sociais como Espaço de Poder, Francisco Rüdiger defendeu que épreciso que as pessoas descubram novamente a capacidade de prestar atenção nos momentos vividos, sem estar mexendo no celular e acessando as redes sociais. Ele usou como exemplo a sua observação da plateia durante a palestra anterior, de António Fidalgo, em que algumas pessoas estavam com fone de ouvido, tirando fotos e mexendo no celular. A fala do professor trouxe diversas discussões com a plateia. Algumas pessoas discordaram do ponto de vista apresentado por Rüdiger e levantaram algumas questões, como por exemplo, o argumento de que, hoje, as pessoas estão acostumadas a mexer nas redes sociais e prestar atenção em outros assuntos. O que Rüdiger rebateu: “Não vejo como uma pessoa pode estar prestando atenção em assuntos densos como os tratados aqui e, ao mesmo tempo, fazer uso das mídias sociais. Parece que as pessoas precisam de álibi para se prender àmáquina. Não importa a mensagem, mas o aparato. Nós enquanto pensadores da área da Comunicação não podemos nos deixar tomar pelo discurso do objeto. Éum desafio se distanciar do objeto”. O professor destacou a seguinte ideia: "O avanço das redes sinaliza em nosso ver processo que esteriliza o pensamento baseado nestes conceitos e, com isso, sugere a quem pode a conveniência de pesquisar novas alternativas de entendimento do que estáem jogo na cibercultura”. E observou: “o poder das mídias sociais deveria estar na ruptura dos discursos, para gerar uma política reflexiva, apresentando ideias, alternativas, uma interlocução crítica, mas o que se diz no Facebook? Coisas tolas, massagem para o ego dos usuários, não hánada de crítico”, finalizou.

Na Mesa Temática 2 - Mídias Sociais como Espaço de Cultura, Lúcia Santaella fez um resgate histórico dos meios de comunicação para, enfim, discutir a atualidade. A autora destacou que "o traço mais fundamental dos processos comunicativos, inaugurados pela cultura do computador, encontra-se na interatividade e na participação ativa do usuário no processo, algo que havia desaparecido desde a oralidade. E completou sobre as mídias sociais: "Estas são plataformas desenvolvidas especificamente para atrair a participação do usuário em uma pletora de ambientes conversacionais. De fato, a observação da evolução das redes, desde a emergência das interfaces gráficas de usuário, que levou da Web 1.0 à2.0, a caminho da 3.0, nos leva a perceber que essa evolução tomou crescentemente a direção do usuário. Como resultado, nunca as contradições humanas e sociais estiveram expostas tanto àmostra quanto agora". Santaella discutiu algumas dessas contradições, tais como segurança e vigilância, privacidade e exibicionismo, civilidade e violência. Para terminar sua fala, a autora assumiu ser uma “romântica incurável”, pois acredita que toda transformação nos desconforta e angustia e afirmou o que pode ser um caminho para a sociedade presente éa sensibilidade dos artistas. “Os jovens têm as fichas para o presente, os artistas têm o vetor para o futuro”. Santaella parece mesmo ter mexido com a sensibilidade do público presente, que demorou bastante tempo para parar de bater palmas após sua fala.

Além das mesas temáticas que ocorreram sempre pela manhã, outro importante momento foram as 13 Divisões Temáticas, em que diversos pesquisadores puderam apresentar 741 artigos inscritos previamente. "Inauguradas em Santiago de Compostela, cabe às DTIs a função de aglutinar as pesquisas que estão sendo realizadas na Ibero-América, de modo que os pesquisadores dessa área geo-cultural possam cada vez mais se conhecer e criar ou reforçar laços intelectuais e afetivos”, disse Maria Immacolata.

A Presidente da AssIbercom jáadiantou no encerramento do evento que o XV IBERCOM, que ocorreráem 2017, deve ser sediado em um desses dois países: Portugal ou Colômbia.

O corpo docente do curso de Jornalismo do Centro Universitário Metodista, IPA, continuaráinstigando os seus alunos a pensar sobre essas questões, afinal, as mídias sociais estão aí, são usadas por todos nós, não sópessoalmente, mas profissionalmente, e épreciso discutir os caminhos possíveis no exercício da profissão do jornalista a partir desse suporte.

 

Confira como foi a programação do Congresso

Dia 31/3: das 10h às 12h - Conferência Inaugural:

Moderadora: Maria Immacolata Vassalo de Lopes- Presidente da AssIbercom

Conferencista: DERRICK DE KERCKHOVE –Universidade de Toronto, Canadá

 

Rumo a uma Cultura da Transparência

Dia 1/4: das 9h às 12h - Mesa temática 1: Mídias Sociais como Espaço de Poder

Moderador: NORVAL BAITELLO JUNIOR –Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Brasil)

ANTÓNIO FIDALGO –Universidade da Beira Interior (Portugal)

 

Dominações e resistências na Internet

FRANCISCO RÜDIGER - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Brasil)

As redes e a armação

Dia 2/4: das 9h às 12h - Mesa temática 2: Mídias Sociais como Espaço de Cultura

Moderador: EUGÊNIO BUCCI –Universidade de São Paulo (Brasil)

Expositores: JORGE A. GONZÁLEZ - Universidade Autônoma Nacional do México (México)

 

Pesquisa e desenvolvimento da cibercultur@

MARGARITA LEDO – Universidad de Santiago de Compostela (Espanha)

Medios sociais e ensaio documental feminista

LÚCIA SANTAELLA - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Brasil)

 

Mídias sociais como espaços de cultura

Todas as tardes, as Divisões Temáticas se reuniram para assistir às apresentações dos trabalhos inscritos pelos participantes.

 

Divisões Temáticas do XIV IBERCOM

DTI 1 - EPISTEMOLOGIA, TEORIA E METODOLOGIA DA COMUNICAÇÃO

DTI 2 - COMUNICAÇÃO, POLÍTICA E ECONOMIA POLÍTICA

DTI 3 - COMUNICAÇÃO E CIDADANIA

DTI 4 –EDUCOMUNICAÇÃO

DTI 5 - COMUNICAÇÃO E IDENTIDADES CULTURAIS

DTI 6 - COMUNICAÇÃO E CULTURA DIGITAL

DTI 7 - DISCURSOS E ESTÉTICAS DA COMUNICAÇÃO

DTI 8 - RECEPÇÃO E CONSUMO NA COMUNICAÇÃO

DTI 9 - ESTUDOS DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL

DTI 10 - COMUNICAÇÃO AUDIOVISUAL

DTI 11 - ESTUDOS DE JORNALISMO

DTI 12 - HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO E DOS MEIOS

DTI 13 - FOLKCOMUNICAÇÃO

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