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Eventos

Equipe Multiverso realiza cobertura jornalística de evento promovido pelo Instituto Novos Paradigmas

zaffaroni 1Equipe do Multiverso /Foto:Elis da Rocha

Os estagiários dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda, que integram a equipe do Multiverso, realizaram a assessoria de imprensa para o colóquio A Questão Democrática e a Midiatização do Processo Judicial, promovido pelo  Instituto Novos Paradigmas (INP). O evento reuniu importantes nomes do Direito Penal e da Comunicação Social.

Os acadêmicos de Jornalismo, Martha Dias e Bruno Dornelles e os estudantes de Publicidade e Propaganda, Elis da Rocha e Yuri Bratti vivenciaram na prática o trabalho de assessoria realizado antes do evento, a cobertura feita em tempo real, durante o colóquio e o pós-evento, com a redação dos textos finais e a pesquisa para a clipagem.

Eles foram acompanhados pelas Profa. Dra. Valéria Deluca, coordenadora do Multiverso e pela Profa. Dra. Sandra Bitencourt, durante todas as atividades. “Um dos nossos nortes é proporcionar aos estudantes, oportunidades para que eles exercitem o que discutimos em sala de aula e nos espaços de experimentação do curso. Vivenciar o jornalismo e a assessoria de imprensa é contribuir com uma formação voltada para o mercado e dar aos alunos gostinho de estar envolvido com a prática”, conta Valéria ao destacar a importância da atividade.

A professora Sandra ressalta dois tipos de ganhos com a oportunidade vivenciada pelos alunos. “Temos o ganho pedagógico de experimentar de fato o desafio de planejar, assessorar e cobrir um grande evento, com um conferencista internacional que é referência mundial na sua área. E, o ganho teórico e acadêmico de refletir sobre um tema de alta relevância na atualidade, o papel da mídia e sua influência e interferência nos processos penais, passando por uma discussão em torno da punitividade, da cidadania e dos direitos humanos”. Para ela, são questões éticas e profissionais essenciais ao campo da comunicação. “E nossos alunos estarão na linha de frente dessa discussão tão necessária”, observa.

O Colóquio

zaffaroni 2Credenciamento, evento contou com mais de 600 pessoas /Foto:Elis da Rocha

O destaque do colóquio A Questão Democrática e a Midiatização do Processo Judicial foi o conferencista, juiz Raúl Eugênio Zaffaroni. Ele foi Ministro da Suprema Corte Argentina de 2003 e 2015. Atualmente, é Juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos e vice-presidente da Associação Internacional de Direito Penal. Também, participaram do colóquio, como debatedores, o ex-Governador, Tarso Genro; o candidato à presidência da OAB/RS, Paulo Petri, a Professora Titular da UFRGS e Doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ, Maria Helena Weber; Alexandre Wunderlich, professor de Direito Penal da PUC/RS; e Domingos Sávio, Doutorando em Sociologia Jurídica pela Universidade de Zaragoza, na Espanha.

As ideias de Raúl Zaffaroni

zaffaroni 3Zaffaroni ao lado do Candidato à Presidência da OAB, Dr. Paulo Petri e Ex- Ministro tarso Genro /Foto:Elis da Rocha

Zaffaroni é conhecido por suas inúmeras ideias e teorias sobre o Direito Penal. Dentre elas, destaca-se o pensamento definido como “realismo marginal jurídico-penal’, que pode ser chamado de garantismo. Trata-se de um sistema sociocultural que estabelece instrumentos jurídicos para a defesa dos direitos fundamentais e consequente defesa do acesso aos bens essenciais à vida e à coletividade, dentre outros. Além disso, é linha de frente do garantismo atuar limitando e evitando a arbitrariedade do poder punitivo do Estado, a fim de combater a seletividade do sistema penal.

Durante sua fala, Zaffaroni destacou a importância da mídia nos resultados dos processos judiciais e a influência que os veículos de informação têm perante essas situações. Em entrevista exclusiva ao INP, ele comentou que a democracia passa pela liberdade de expressão. “Nós vivemos em uma realidade criada pela mídia. Não sabemos o que acontece nas outras partes do mundo, no outro bairro, na outra cidade. Só sabemos pela mídia. Então, o monopólio midiático é incompatível com a democracia. Em uma democracia, em um projeto de sociedade plural, é incompatível. O monopólio midiático, o discurso único de uma realidade única é próprio de autoritarismos e de totalitarismos, não da democracia”.

zaffaroni 4Da esquerda para a direita: Domingos Sávio, Alexandre Wunderlich, Eugênio Raúl Zaffaroni, Paulo Petri, Tarso Genro, Maria Helena Weber /Foto:Elis da Rocha

A respeito das influências da mídia sobre as decisões judiciais e, no caminho inverso, a influência das decisões judiciais sobre o que passa na mídia, Zaffaroni acredita que “na América Latina, especialmente na Argentina, não sei se podemos falar em opinião pública ou em opinião publicada. Esse é o grande problema. Por sinal, sim, a mídia está agindo sobre os juízes. Condiciona os políticos. Os políticos têm medo perante a mídia. Alguns montam nos discursos da mídia para obter votos. E os juízes estão com medo, têm medo da mídia. Por causa disso, a mídia pratica condenações midiáticas. O juiz que fica contra a mídia é vulnerável. Essa é a realidade”.

O magistrado apresenta uma forma que a mídia poderia auxiliar a população a ter encontrar a sensação de justiça através das decisões judiciais. “Primeiramente, precisa ser uma mídia plural, o que não temos. Em sendo uma mídia plural, bom, um falará uma coisa, outro falará outra. Serão diferentes cosmovisões que podem refletir a mídia, incidindo em um conceito e consenso de cidadania, formando uma ideia segundo as diferentes fontes de informação que se tem”, finaliza ele.

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