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Publicidade e Propaganda: nova rotulagem nutricional de alimentos é tema de campanha

foto 1.jpegProfessora Nancy e equipe Multiverso / Foto: Martha Dias/Multiverso IPA

A coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda, Profa. Me. Nancy Vianna e a equipe Multiverso participaram do lançamento da Campanha de Mobilização pela nova Rotulagem Nutricional e Alimentos no Brasil. O evento aconteceu na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A atividade contou com representantes das áreas da Comunicação e da Saúde.

 Os participantes refletiram sobre a questão da alimentação dos brasileiros e como outras áreas, como a Comunicação, também contribuem para o atual cenário. De acordo a professora Nancy, foi um momento para olhar uma problemática social que tem relação com a comunicação e aprofundar discussões a respeito da ética, da legislação e do bem comum.

Ela pondera que, tanto publicitários como jornalistas, precisam pensar em contribuições para as problemáticas sociais, como é o caso das consequências de uma alimentação imprópria. “Para que o consumidor, a escolha corretamente necessita da informação adequada e de um rótulo que apresente verdadeiramente a composição dos alimentos. A Publicidade não pode ser um obstáculo, mas sim, deve propiciar reflexão e conscientização”, observa ela.

A campanha

De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a rotulagem atual apresenta deficiência, pois faz uso de uma linguagem de difícil compreensão para o consumidor. Isso acaba causando a falta de conscientização sobre o alimento a ser consumido. “Os profissionais da saúde vêm percebendo o aumento das doenças, de doenças crônicas e da obesidade. E isso é, muitas vezes, por conta da má alimentação. Quando pequena, cresci aprendendo que nos Estados Unidos as crianças tinham problema de obesidade. Agora adulta, percebi que o Brasil é um país onde a obesidade infantil tem uma alta porcentagem”, lamenta a Profª Cláudia Aristimunha (UFRGS).

foto 2 da esquerda para a direita Rosângela Parmigiani, Milton Berger, Noemia Goldraich, Jacira Santos e Cláudia Aristimunha.jpegDa esquerda para direita: Rosângela Parmigiani (AGAN) Milton Berger(HCPA), Noemia Goldraich (UFRGS), Jacira Santos(CRN-2) e Cláudia Aristimunha(UFRGS) / Foto: Martha Dias/Multiverso IPA

A proposta, criada pelo Idec, em conjunto com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), se baseia no Modelo de Perfil Nutricional da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Para Laís Mais, nutricionista e pesquisadora em alimentos no Idec, a rotulagem atual não cumpre o papel que deveria. “Além de conter as palavras pequenas na parte traseira do produto, o design é deficiente, sem contraste e apresenta letras pequenas, impossibilitando o consumidor de compreender”, explica ela.

Foto 4.jpegO modelo, já utilizado no Chile, serviu de inspiração. / Foto Martha Dias                                                                                                                           

Os produtos que receberão o selo de advertência são aqueles que apresentam nutrientes críticos na quantidade como açucares livres, gorduras totais e saturadas, sódio, adoçante e gordura trans.  Além da nova rotulagem, Laís disse que aprimoramentos na lista de ingredientes e a tabela nutricional também são fundamentais. “É necessário agrupar todos os ingredientes semelhantes que contém no produto. É o caso do açúcar. Se juntarmos todos os açúcares que contém em determinado alimento, ele não ficaria em maior quantidade?”, indaga a pesquisadora.

Apesar dos obstáculos, Laís acredita que a proposta, já apresentada à Agência Nacional de Vigilância (Anvisa), é vista como uma forma positiva de combater os problemas de alimentação. O que se espera, é que a consulta pública sobre a nova rotulagem seja realizada em outubro deste ano.

Foto 3.jpegDe acordo com o Idec, o selo mais chamativo é o em formato de triângulo. / Foto Martha Dias

Além de debater a questão da má alimentação, o debate entrou em um assunto mais complexo: A atuação da comunicação e como ela afeta as escolhas do consumidor. Para a Profª. Drª. Aline Strelow (UFRGS), a autonomia para escolher algo requer conhecimento sobre o assunto. Para isso, é necessário ter acesso à informação. Ela também destaca a atuação da publicidade na área da alimentação “Os alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, biscoitos, salgadinhos, geralmente, vêm acompanhados de cartazes com artistas, atletas famosos e personagens animados. Muitos comerciais destacam estes produtos como algo saudável”. Ela revelou que a comunicação é, muitas vezes, vista como um obstáculo na hora de incentivar a população a ter alimentação saudável. Porém, acredita que ela também pode ser uma aliada para a desconstrução de padrões. “Quando bem manejada, a informação é fundamental. Principalmente, para essa questão da nova rotulagem”.

Para o Pr. Dr. André Iribure, da Secretaria de Comunicação Social (SECOM), a publicidade ajudou na construção do imaginário em torno de alimentos não saudáveis. Porém, reforça que a área da Comunicação pode ajudar engajando com a causa e incentivando a participação pública usando ferramentas como as redes sociais.

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