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Alunos do IPA conversam com jornalistas sobre assédio

A semana acadêmica dos cursos de Saúde e Licenciaturas do IPA contou com a presença de três jornalistas para debater sobre o assédio no jornalismo esportivo. Ana Aguiar (Rádio Grenal), Samantha Klein (Rádio Guaíba) e Laura Gross (Rádio Guaíba) falaram sobre as áreas de atuação no jornalismo e, principalmente, no segmento esportivo, onde houve aumento de casos de assédio.

ok RAFAFoto: Thiago Lopes

Ana contou que sempre gostou de esportes, mas que também era muito criticada. Por ser mulher, ela acredita que ainda há muito machismo na área esportiva disfarçada de piada ou comentários desnecessários. “Às vezes, me perguntam ‘O que você achou das pernas do jogador’ e não é assim que quero contribuir, estou aqui para falar de futebol”, explicou.

Ela acredita que, para um homem, nunca é questionado nada ao comentar sobre algum esporte já a mulher tem que provar aquilo que está falando como se não entendesse. Ana afirmou que, em algumas vezes, recebeu questionamentos como ‘Por que você fez esse tipo de pergunta? e advertências como ‘Tirou o humor do entrevistado’, porém acredita que acima disso, há o compromisso com os critérios jornalísticos. “Estou ali representando uma grande parcela de torcedores que desejam saber o porquê do time ter empatado ou qual foi a sensação de um jogador ao ter ganho uma partida. Essas questões são mais importantes”, ponderou.

Samantha Klein contou sobre o programa feminista Elas por elas, que vai ao ar na rádio Guaíba e que debate sobre questões do mundo feminino. Ela contou que, além de argumentar acerca de assuntos como o assédio, também criam problematizações em torno do preconceito racial e Da homofobia. “Realizando o Elas por elas, percebi como é possível dar voz a outras mulheres que não tiveram espaço em seus trabalhos, por uma questão de não ser uma pauta tão ‘interessante’ ou por outros motivos”.

A jornalista disse que ainda é necessário debater a atuação da mulher nos programas de rádio e tv, principalmente os de debate e esportivos, onde a presença masculina compõe em maioria o cenário. Para ela, é possível empoderar as mulheres sem necessariamente ‘militar’, mas sim, havendo respeito e reconhecimento de que elas têm um espaço merecido dentro das redações.

Laura Gross, repórter na rádio Guaíba, explicou que a campanha ‘Deixa ela trabalhar’, iniciativa para protestar contra o assédio vivido por mulheres que atuam na área, surgiu em um momento extremamente crítico. Ela reforçou que o projeto ainda necessita ser debatido em espaços acadêmicos e empresariais. “Debater esse assunto com as mulheres é importante, pois muitas ainda não imaginam o quão grande é a capacidade delas de realizar as coisas. Trazer os homens para esse debate é fundamental”.

Laura salientou que além da campanha, é importante lembrar que é errado o ato de assediar, tanto nos espaços esportivos quanto em outros locais de trabalho. Ela acredita que, se as pessoas continuarem a questionar o porquê de alguns ambientes de trabalho serem opressores, mais rápido se tornará a chance de algumas opiniões mudarem e as mulheres não sofrerem nenhum tipo de assédio.

 

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