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Checagem de notícias e publicidade infantil marcam a noite dedicada à Ciência

3 pFoto: Alessandro Davila

A penúltima noite do 3º Seminário de Comunicação Integrada foi marcada pelo painel “Eu, ciência”, mediado pelo Prof. Dr. Edgar Zanini Timm, Coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu do Centro Universitário Metodista IPA. O evento contou com a presença de duas pesquisadoras da área da Comunicação. Elas trataram sobre checagem de notícias, com ênfase no período eleitoral e Publicidade Infantil em tempos de Youtube.

Jornalismo, Narrativas e Verdades em Disputa

4 pFoto: Yuri Bratti

A jornalista Taís Seibt, contou que sua inspiração para a Filtro Fact Checking, da qual é sócia, surgiu dos assuntos já abordados nos EUA: Fake News e Pós-Verdades. Ela disse que buscava algo que impactasse o mercado jornalístico. “Em uma de minhas pesquisas, descobri a Pensamento.org, que trata sobre democracia e assuntos de causa social. Eles estavam procurando projetos de checagens com enfoque no Rio Grande do Sul. Tudo isso acabou se tornando um laboratório de pesquisa para minha tese de Doutorado”, contou.

Ela conta que aprendeu algumas questões com checagens em época de eleições e que “apenas depender de agências de checagens não é o bastante”. Destacou que é necessário debater publicamente, prestar atenção nas campanhas dos candidatos, em entrevistas e, principalmente, nos debates transmitidos pela TV.5 pFoto: Alessandro Davila

“Diariamente, as pessoas são bombardeadas por boatos em suas caixas de mensagens. Muitas vezes, não conseguimos checar tudo. Por isso, o debate público é tão necessário”, explicou. Sobre os selos, usados nas apurações, ela esclareceu que eles são indicativos de que há algo, na fala de alguém, que necessita de mais atenção e pesquisa para confirmar se é verídico ou não.

Ela finalizou mostrando que é possível impactar com o Jornalismo. “Por muito tempo, percebi que o Jornalismo estava perdendo o impacto perante à sociedade. Com os novos projetos de checagens, a área começou a retomar a caminhada de provocação às pessoas, por meio de confrontamentos às autoridades e mostrando valores para a sociedade”, ponderou.

Publicidade Infantil em Tempos de YouTube

2 pFoto: Alessandro Davila

A publicitária Maria Clara Monteiro revelou que sua infância, vivida nos anos 80, serviu como inspiração para realizar pesquisa sobre publicidade infantil. Ela acredita que buscar questões que não são questionadas pelas pessoas é um dos papéis sociais que os acadêmicos devem praticar. Ela explicou que a Publicidade começou a ser dirigida para os pequenos a partir das décadas de 80 e 90, quando houve o boom da publicidade infantil. “Programas como Bom Dia & Companhia, Xuxa e TV Globinho surgiram nas grandes emissoras. Estes necessitavam de patrocínio”, relembrou.

A pesquisadora destacou entre as marcas que direcionam a publicidade às crianças, a Coca-Cola, Danoninho e McDonald’s. “É possível assistir nas propagandas, crianças vivendo em um mundo lúdico, com personagens animados e diversas situações”, refletiu. Ela ainda lamentou que há poucos pesquisadores problematizando tais questões e que é necessário olhar ao redor e discutir o que está sendo modificado na Comunicação.

6 pFoto: Alessandro Davila

Sobre o YouTube, ela contou que 64% das crianças assistem vídeos em plataformas, de acordo com TIC Kids Online Brasil. A pesquisadora alegou que as crianças não consomem apenas vídeos realizados por youtubers mirins, pois “navegando em plataformas, elas têm a possiblidade de assistir outras coisas”. Ela problematizou a questão dos influenciadores digitais, que utilizam de marcas e patrocínios em seus vídeos e que, por haver muito conteúdo na plataforma, não é possível checar se há propaganda direcionada ao público infantil em todos. Maria Clara apresentou a metodologia utilizada em sua tese de doutorado e alguns dados preliminares.

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