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Mulheres Maravilha

A luta de Flávia pela qualidade de vida de pacientes de câncer

camaleaoFoto: Katiele Radünz

No mês dedicado às mulheres, o Multiverso entrevistou três profissionais que dedicam o seu dia a dia para desenvolver atividades que contribuem para o bem-estar e a defesa dos direitos das mulheres. A primeira entrevistada é Flávia Maoli, fundadora e presidente do Projeto Cameleão. A iniciativa busca reforçar a autoestima e promover a reinserção social de pessoas diagnosticadas com câncer.

Multiverso: Por que o nome Camaleão?

Projeto Camaleão: Escolhemos o Camaleão pela capacidade do animal de se adaptar ao meio que está para continuar vivendo. Acreditamos que a adaptação à realidade de pacientes com câncer é o caminho para que as pessoas consigam seguir suas vidas durante e após esse processo. 

 

Multiverso: O projeto surgiu a partir de algum momento específico na tua vida?

Projeto Camaleão: Tive câncer em 2011. Em 2013, resolvi criar um blog chamado Além do Cabelo: câncer não é escolha; bom humor, é. O blog fez sucesso entre os pacientes e alguns meses depois, conheci Leon Golendziner e Bruno Kautz, dois jovens que queriam se envolver em uma causa. Juntos criamos o Projeto Camaleão, que a princípio era para ser apenas um evento financiado coletivamente no ambiente virtual. A ideia era montar uma feira de autoestima para pacientes em tratamento, onde elas pudessem brincar com a autoimagem e se redescobrir. Isso foi em julho de 2014. De lá pra cá, fomos crescendo até nos tornarmos uma ONG e diversificarmos nosso trabalho.  

 

Multiverso: Como funciona o projeto?

Projeto Camaleão: Somos uma ONG que ajuda o paciente com câncer a se redescobrir através do reforço da autoestima e da reinserção social. Atendemos qualquer pessoa com qualquer tipo de câncer, independente de gênero, condição financeira ou estágio da doença. Desde 2018, temos a Casa Camaleão, onde promovemos atendimentos terapêuticos de diversas formas, como grupos de pacientes, familiares, cursos, aulas de yoga e meditação e apoio multidisciplinar. Também desenvolvemos campanhas de conscientização e programas de apoio focados. 

 

Multiverso: Neste tempo de atividades, quais as principais dificuldades enfrentadas? 

Projeto Camaleão: A nossa maior dificuldade é manter a gratuidade das atividades sem ter um patrocínio fixo, seja de empresas ou governamentais. Temos gastos fixos mensais. A nossa sede é alugada, além de outros custos de manutenção. Nos mantemos com doações financeiras de pessoas físicas e jurídicas, com a venda de produtos e através das contribuições que recebemos pelo nosso brechó beneficente. 

 

Multiverso: Como é fazer parte de um projeto que transforma a vida de diversas mulheres?

Projeto Camaleão: É maravilhoso, fico muito feliz pela chance de transformar minha história individual em bem estar coletivo! Fico feliz em saber que hoje os pacientes se sentem menos sozinhos do que me senti quando descobri o câncer, porque sabem que podem contar com o Projeto Camaleão.

 

Multiverso: Qual a história que mais te marcou?

Projeto Camaleão: Acompanhamos muitas histórias de superação e força. Uma que nos tocou muito, foi uma paciente que depois de participar de dois encontros do grupo terapêutico decidiu voltar para a faculdade que havia abandonado quando descobrira o câncer. 

 

Multiverso: Qual é o recado que gostarias de deixar para as mulheres?  

Projeto Camaleão: Façam seus exames e conheçam o seu corpo! Saibam que o câncer não é uma sentença de morte, nem um castigo. Quanto mais soubermos sobre a doença, menos medo teremos dela! E contem conosco para o que precisar. 

 

A Casa Camaleão fica na Rua Giordano Bruno, 82, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre. Para saber mais sobre o Projeto Camaleão, acesse aqui. https://projetocamaleao.com

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