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Ping Prof Pong

Fabio Berti: "O Jornalismo é antídoto para a avalanche de fake news"

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O Multiverso inicia uma série de entrevistas com os docentes dos cursos de Comunicação e Turismo. A ideia é conhecer os professores além da sala de aula. O Ping Prof Pong começa com o jornalista Fabio Ramos Berti. Coordenador dos cursos de Jornalismo, de Publicidade e Propaganda e de Turismo, é o mentor da Escola de Comunicação e Hospitalidade do Centro Universitário Metodista IPA.

FABIO 01Foto: Alessandro Davila

Multiverso: A tua vida acadêmica não começou na Comunicação. Foste aprovado no vestibular para o curso de Medicina. O que te levou a trocar de área e ingressar na faculdade de Jornalismo?

Fabio: Não esqueçam que sou de outro tempo, dos que nasceram em meados da década de 1970 (risos). As opções de formação em ensino superior eram infinitamente menores do que hoje. Medicina, Direito, Engenharia eram consideradas profissões seguras, que garantiriam um bom futuro. Mas meu negócio era escrever. Adorava redigir e viajava nas leituras. Curtia esportes e ouvia muitos programas no rádio. Hoje considero o ano que parecia perdido entre o vestibular para medicina e a entrada no jornalismo como o período de amadurecimento que tanto precisava. Afinal, tinha apenas 16 anos. Faz tempo, né?

 

Multiverso: O Jornalismo foi uma área que sofreu muitas represálias durante o Governo Militar. Com a retomada da democracia, precisou também se realinhar e seguir cumprindo com sua função social.  Na tua opinião, quais as conquistas mais significativas do Jornalismo nas últimas décadas?

Fabio: Esse debate afrontoso, proposto por alguns setores, se houve ou não ditadura no país deve ser enfrentado por todos os jornalistas, especialmente aqueles que não viveram diretamente a censura, e pelos estudantes de jornalismo. O Ato Institucional número 5 (AI-5), de 1968, entre muitos absurdos, instalou a censura prévia sobre o trabalho da imprensa. Em resumo, a população só deveria receber notícias favoráveis ao regime militar que controlava o país. Censores - pessoas ligadas à ditadura - frequentavam as redações em tempo integral para violar o justo direito à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. Por isso, minha sugestão é que esse direito, retomado a muito custo no Brasil, seja nosso bem melhor preservado e celebrado. Nem a autocensura, que voltou a ser comum em alguns veículos de comunicação dependentes de verbas públicas ou outras fontes, é tão ameaçadora quanto discursos estapafúrdios como esses que voltamos a ouvir em 2019.

 

Multiverso: Se fosse possível desenhar um panorama para a área do Jornalismo e da Comunicação Social, como seria?

Fabio: Reforço o alerta para o discurso oficial em nosso país. Vigilância é importante nesse momento. Já sob o ponto de vista tecnológico, a comunicação social realmente passa por transformações desafiadoras. Precisamos diariamente interpretar os movimentos, adaptar formatos aos novos meios, sem perder de vista o compromisso ético com a informação de qualidade. Ao passo que o jornalismo é antídoto para a avalanche de fake news que nos atinge diariamente nas redes sociais, nosso trabalho enfrenta a resistência de segmentos da população cujo interesse é evitar a criticidade e o contraponto. Um cidadão bem informado é capaz de opinar, debater, interferir e até votar conscientemente.

 

Multiverso: Vivemos na era das fake news e das redes sociais digitais que assumiram a função de reverberar os acontecimentos do cotidiano. Neste contexto complexo e desafiador, qual deve ser o perfil do jornalista do futuro?

Fabio: A característica essencial de um bom jornalista é o compromisso ético de informar com correção e responsabilidade. Técnicas podem ser desenvolvidas na faculdade, nas formações posteriores e no próprio mercado de trabalho.  Sou um incentivador dos profissionais que buscam influenciar em sua profissão e, especialmente, em sua área de conhecimento. O jornalista precisa estar atento aos movimentos da sociedade antes mesmo dos movimentos tecnológicos. Não podemos renegar jamais os novos meios e as novas ferramentas que surgem por influência das inovações tecnológicas. Mas precisamos seguir relatando a verdade, como forma de contribuir com uma sociedade mais justa e inclusiva.

 

Multiverso: Qual é o recado que tu gostarias de deixar aos estudantes da Escola de Comunicação e Hospitalidade?

Fabio: Sou profissional da comunicação há mais de 25 anos, tendo a oportunidade de liderar muitas equipes multidisciplinares. Agora, temos aqui no IPA o desafio de ampliar fronteiras entre a comunicação e a hospitalidade, recebendo junto ao Jornalismo e à Publicidade e Propaganda o curso de Turismo. Essa atividade econômica é uma das mais significativas do planeta. Formar profissionais do mais alto gabarito, o curso de Turismo já vem fazendo há quase duas décadas. Estamos propondo a interdisciplinaridade e a visão sistêmica, valorizando, no entanto, as características específicas de cada uma das áreas. Minha sugestão é que os estudantes estejam sempre com suas mentes abertas para o novo, para tudo que possa ajudá-los a desenvolver as competências pessoais e profissionais que o mundo contemporâneo exige.

 

Um pouco mais sobre Fabio Berti

Doutor em Educação em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2012. Jornalista formado pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) em 1997. É docente nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do IPA. Foi presidente do Colegiado Ampliado das Ciências Sociais Aplicadas do IPA (2015 - 2017). Atuou como docente em programas de pós-graduação em instituições como Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios (IBGEN/FTEC) e Faculdade Sogipa de Porto Alegre.

Foi coordenador de comunicação do Comitê Gestor da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 - CGCopa/RS, chefe de gabinete da Secretaria Estadual do Esporte e do Lazer/RS e diretor-geral da Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia/RS, onde coordenou o Programa de Popularização da Ciência e Tecnologia. Foi assessor de imprensa no Palácio Piratini (Governo do Estado do RS) e na Assembleia Legislativa do RS, além de repórter, apresentador, editor e coordenador de jornalismo em diferentes veículos de comunicação (rádio, TV, jornal e internet). Em 2018, foi o coordenador de Jornalismo da RDC TV.

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